Dois operários morrem nas obras de reforma da ponte

Postado dia 16/1/2002 | | 0 comentário

Causas do acidente serão investigadas pelo governo paraguaio
Dois operários que trabalhavam nas obras de reforma da Ponte da Amizade morreram e um ficou ferido, ontem, ao despencarem de uma altura de 65 metros no leito do Rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai. O acidente aconteceu do lado paraguaio da ponte, no início da manhã, quando oito homens faziam os trabalhos de pintura e limpeza da estrutura apoiados em um andaime precário, que não suportou o peso dos operários e cedeu.

Labier de Barros e Willian de Aquino caíram nas pedras e morreram na hora. Dirceu Aparecido dos Santos também despencou da mesma altura, mas conseguiu se salvar porque caiu na água e foi socorrido por um barco de pescadores que passava pelo local. Santos foi levado à Santa Casa Monsenhor Guilherme com ferimentos na cabeça e nos braços e em seguida foi liberado. Um quarto funcionário ficou pendurado pela corda de segurança e foi socorrido pelos companheiros antes que caísse no rio. À tarde, os trabalhos foram suspensos.

Segundo alguns funcionários – todos contratados em Foz do Iguaçu – que trabalhavam perto do local do acidente e já pensam em deixar o emprego, não havia segurança no local. O andaime que despencou, por exemplo, tinha como base apenas algumas placas de compensado, apoiadas em duas barras de ferro. A engenheira Natália Posser, responsável pela obra administrada pela empresa gaúcha EPT (Engenharia e Pesquisa Tecnológica) S.A., não quis se manifestar sobre o caso.

Os operários foram socorridos pela equipe de resgate do Corpo de Bombeiros de Foz do Iguaçu e os corpos, removidos de lancha pelo rio Paraná e levados até o Instituto Médico Legal (IML) de Ciudad del Este. Apesar da obra estar sendo mantida exclusivamente pelo governo brasileiro, como o acidente aconteceu do lado paraguaio da fronteira, as causas serão investigadas pelo governo do país vizinho.

A obra

Prorrogadas de setembro para o início de janeiro, as obras de reforma da Ponte da Amizade provocaram polêmica entre brasileiros e paraguaios. Lojistas do país vizinho exigiram do governo brasileiro que transferisse a data para o começo do ano, quando o movimento de compras em Ciudad del Este é bastante reduzido e o trânsito em meia-pista não prejudicaria o comércio.

A pressão provocou sucessivos bloqueios e protestos na ponte até que a data de início dos trabalhos de pintura, limpeza e substituição das juntas de dilatação fosse transferida para o dia 6 de janeiro. O trabalho deve ser concluído em 45 dias.


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