Em 509 km, motorista faz economia de R$ 31,20

Postado dia 24/12/2001 | | 0 comentário

Para economizar R$ 31,20 com pedágios de São Paulo a Avaré, a Folha seguiu na semana retrasada as rotas de fuga da rodovia Castelo Branco indicadas pelo site www.velocidade.com.br, disponível há dois anos na internet.

No saldo da viagem, dos dez postos de cobrança de ida e volta, que somariam gastos de R$ 39,80, é possível fugir de oito e pagar só dois, totalizando R$ 8,60.

A distância percorrida, 509 km, foi apenas 29 km maior que a do trajeto original. Essa extensão equivale ao percurso da capital paulista ao município de Jandira, na região metropolitana.

A duração de viagem foi 24% superior à normal, indicando uma perda de uma hora e 25 minutos. Ou seja, tempo suficiente para viajar ao litoral sul paulista.

Esses números dimensionam apenas parte das vantagens e desvantagens das rotas de fuga. Utilizá-las significa não ter tanta pressa para chegar porque é preciso enfrentar lombadas e lentidão em trechos urbanos.

Um exemplo típico é a fuga do pedágio do km 33 da Castelo Branco. Esse trajeto permite que um motorista vá de São Paulo até Sorocaba, passando por dentro dos municípios de Itapevi e São Roque, sem pagar nada. Pelas rodovias da Viaoeste, os gastos com dois pedágios seriam de R$ 7,80.

Os motoristas que escapam dos postos de cobrança também correm mais riscos. Primeiro porque não dispõem dos serviços de ajuda das concessionárias. Segundo porque, em alguns casos, é preciso passar por áreas isoladas, distantes de comércios e residências.

Um exemplo é a saída do km 193 da Castelo, sentido capital-interior, para fugir do pedágio do km 208. O motorista que utiliza esse atalho percorre quase dez quilômetros de trechos sinuosos sem deparar com nenhum sinal de urbanidade.

A primeira regra apontada por caminhoneiros e “escapadores” de pedágio é não se aventurar em dias de chuva ou durante a noite, principalmente na primeira vez. A fuga do km 74 da Castelo, sentido interior-capital, é um exemplo: quando chove, os veículos mais baixos não passam nas poças d água e ainda podem ficar atolados.

Os principais usuários dos atalhos de fuga são caminhoneiros e moradores de municípios do interior de São Paulo próximos das praças de pedágios.

No caso dos usuários eventuais, depois da construção de 52 pedágio nas rodovias concedidas, ganharam espaço as rotas alternativas, que têm características diferentes.

A rota de fuga é caracterizada quando os motoristas utilizam uma rodovia para fazer a maior parte de sua viagem, usufruem dos serviços disponíveis, mas escapam por atalhos que, muitas vezes, não têm capacidade para receber grande volume de tráfego.

No percurso de 509 km feito pela Folha, por exemplo, 75% foram por estradas que estão sob concessão da iniciativa privada.

Já a rota alternativa é a escolha de um caminho que evita os pedágios, mas sem utilizar prioritariamente a estrada que faz a cobrança. Por exemplo: ir ao litoral sul de São Paulo pela Regis Bittencourt, onde não há pedágio, e não pelo sistema Anchieta/Imigrantes, onde se paga R$ 6,00 para a Ecovias.

“As rotas alternativas são legítimas, já existiam antes da concessão. A gente não vai desestimular isso. O uso predatório é que preocupa. A preocupação não é cercar os usuários para que ele pague pedágio, mas evitar a utilização indevida de algumas vias”, afirma Silvio Augusto Minciotti, coordenador-geral da Comissão de Concessões da Secretaria dos Transportes.


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