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História das Rodovias

A Via Anhangüera dos antigos tropeiros


O primeiro marco histórico da Via Anhangüera conta 277 anos. Trata-se de uma carta do alferes José Peixoto da Silva Braga, enviada ao padre Diogo Soares, na qual está indicado o roteiro que aquele oficial seguiu com a bandeira do Anhangüera, o moço. Registra que o famoso Bartolomeu Bueno da Silva saíra da Vila de Piratininga, com uma tropa de 152 homens armados, acompanhados de dois religiosos bentos e providos de 39 cavalos. Entre São Paulo e Campinas a travessia foi feita em cinco dias, quatro deles em romper matas, até ser atingido o rio Mogi.
Iniciada em 1916, com a mão-de-obra de 84 sentenciados, que construíram 32 km, a São Paulo-Campinas, antecessora da Anhangüera, foi concluída em 1921, quando existiam, em todo estado de São Paulo, pouco mais de três mil carros de passageiros e 100 caminhões. Em 1920, Washington Luis, presidente do estado, determinava a aceleração dos trabalhos da São Paulo-Jundiaí e seu prolongamento até Campinas. Autorizava a contratação de trabalhadores assalariados, que substituíram os presidiários. Foi a primeira estrada planejada e executada em função do veículo motorizado. No ano de 1920, era iniciada a construção do trecho de Campinas até Ribeirão Preto.
Em 1940, no dia 25 de janeiro, tinham início as obras de construção da nova rodovia São Paulo-Campinas, que passou a chamar-se, oficialmente, Via Anhangüera. Oito anos depois, surgia a primeira pista pavimentada da rodovia ligando a capital a Jundiaí e, depois, a Campinas. Em 1953, a segunda pista.
Nove anos depois, começavam as obras de construção e pavimentação do novo acesso da Anhangüera a Campinas. Em março de 1976, a Dersa assumia o controle do km 10 ao 110.

A Rodovia de hoje

Com 80 km de extensão, entre São Paulo e Campinas, a SP-330 de hoje soma 427 km, até Igarapava. Pista dupla, tráfego intenso, de São Paulo a Limeira, com acesso à Washington Luis, no km 153. São oito postos de pedágios, nove da Polícia Rodoviária. Com trechos de muita beleza, a Via Anhangüera está entregue a quatro concessionárias: AutoBan, do km 11 ao 158; Intervias, do km 159 ao 239; Autovias, do km 240 ao 318 e Vianorte, do km 319 ao 438.
A AutoBan (0800-555550) informou que, atualmente, são executadas numerosas obras e melhoramentos em vias marginais, terceiras e quartas faixas; passarelas, sinalizações, recapeamentos, iluminação, etc. A empresa acrescentou trabalhar com seis ambulâncias, 15 guinchos, 40 veículos de apoio e um caminhão para apreensão de animais.
Por sua vez, a Autovias (0800-183363) informou que serão construídas sete passarelas, dois dispositivos de 17,20 km de marginais, somando os dois lados da rodovia. Acrescentou utilizar 13 veículos, sendo três ambulâncias para resgates e um caminhão boiadeiro.
A Vianorte (0800-183070) iniciou em abril a recuperação do trecho Ribeirão Preto a Igarapava, com investimentos da ordem de R$ 10 milhões, em dez meses de prazo para conclusão, a qual beneficiará mais de 20 mil usuários por dia. Segundo a concessionária, será a primeira, da América do Sul, a restaurar pavimento de rodovia por meio de termorregeneração, técnica mais conhecida como reciclagem a quente no próprio local. A Vianorte esclareceu que a técnica, usada há vários anos, no exterior, já foi aplicada no Brasil nos anos 80 e que ressurge modernizada, de maneira a prevenir a deterioração do asfalto.

Anhangüera dos dicionários

Afinal, o que significa Anhangüera? Dicionários ensinam que é substantivo masculino, do tupi añã'gwea, diabo velho, que quer dizer o diabo. Anhanguerense, nome próprio, natural ou habitante de Anhangüera, cidade do estado de Goiás.
O Lello Universal assinala que Anhangá é nome genérico do diabo, na língua tupi. E ave galinácea. Anhangüera é destemido, resoluto, ser imaginário, o diabo que tomou qualquer forma.
E Bartolomeu Bueno da Silva, quem é este moço? Ainda segundo Lello, trata-se de aventureiro português, nascido na capitania de São Paulo. Como de Goiás tivesse vindo um bandeirante de ouro, em 1647, Bartolomeu Bueno seguiu a mesma direção até ao sítio, onde depois fundou a cidade de Goiás. Os índios, a princípio, negaram-se a ensinar-lhe onde se encontrava o precioso metal. Ele, então, reuniu os chefes e, lançando fogo à aguardente de uma pipa, ameaçou-os de incendiar da mesma forma os seus rios e lagos, se não lhe dessem a indicação pedida. Os índios, aterrados, levaram-no imediatamente a um sítio, onde o ouro abundava e daí em diante designaram Bartolomeu Bueno pelo nome de Anhangüera, ou gênio do mal.