A
setentona Rio-São Paulo deu passagem à Presidente Dutra

"Conforme
estava anunciada, realizou-se effectivamente no dia 5 do corrente
a inauguração da Estrada Rio-São Paulo. Notavel
acontecimento, que se revestiu de uma importância sensacional,
constitue um motivo do maior jubilo civico por ser mais um elo na
cadeia da unidade brasileira".
Era desta maneira que a imprensa noticiava "as grandes solenidades"
de inauguração, em 5 de maio de 1928, "empreendimento
do mais valioso alcance material, os efeitos moraes, que robustecem
em todos nós a confiança da perfeita integridade nacional".
Em carro aberto, o presidente Washington Luis saíra cedo do
Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, acompanhado de grande
comitiva, para tão importante acontecimento.
Em Jacarepaguá, na esquina da rua Cândido Benício,
onde começava a Rio-São Paulo, era levantado arco em
homenagem a Washington Luis. No alto da montanha, hoje trecho de descida
das Serra das Araras, realizava-se cerimônia do lançamento
da pedra fundamental do Monumento Rodoviário, pelo Touring
Club do Brasil.
Quando proclamou a Independência, em 1822, D. Pedro I levou
quase 12 dias para chegar à capital paulista. Saiu dia 14 de
agosto do Rio de Janeiro, pernoitando em fazendas, com sua cavalgada
que seguia caminhos de tropeiros.
A história registra, ainda, que, em 1908, quando o Conde Lesdain
fez a primeira viagem de automóvel, a São Paulo, gastou
876 horas, no Brassier, que trouxera da França.
Resumo
da BR-2, Hoje BR-116
O calendário histórico da Rio-São Paulo é
dividido em várias etapas. Em 1724, era decidida sua construção,
pela Província de São Paulo. A inauguração
só ocorreria em 1928, pelo presidente Washington Luis, com
extensão de 508 km, oito dos quais pavimentados. Em 14 de março
de 1949 ocorria a entrega da pavimentação do trecho
entre São Miguel e Mogi das Cruzes.
A antiga BR-2, como era conhecida, passava a chamar-se Rodovia Presidente
Dutra, em 30 de abril daquele ano, por ato do governo federal. Em
15 de julho de 1950, realizava-se a inauguração do trecho
com duas pistas, de 7 m, separadas por canteiro central de 3 a 6 m,
entre Parada de Lucas(km 0) e Garganta de Viúva Graça
(km 46), pavimentadas em concreto de cimento asfáltico e macadame
betuminoso, com 12 trevos.
A partir das décadas 40 e 50, a construção de
rodovias ganhou impulso. Pela criação do Fundo Rodoviário
Nacional, em 1946, que estabeleceu imposto sobre combustíveis
líquidos, usado para financiar a construção de
estradas. E, ainda, a criação da Petrobras, em 1954,
produzindo asfalto em quantidade, como também, a implantação
da indústria automobilística, em 1957.
A retificação do traçado Rio -São Paulo,
com encurtamento de 101 km e pavimentação de dois terços,
era inaugurada pelo presidente Eurico Dutra, em 19 de Janeiro de 1951.
Naquele ano, o País tinha 262.529 automóveis e 210.244
caminhões e ônibus, num total de 472.772. Destes, o Rio
de Janeiro ficava com 17.853 e São Paulo com 172.890.
A
Segunda Pista
Em 15 de novembro de 1967, era entregue a duplicação
da rodovia, pelo então presidente Costa e Silva, na presença
de Dutra e de outras autoridades, entre elas o ministro Mário
Andreazza e o governador Abreu Sodré. A estrada foi encurtada
em 12 km, em conseqüência das variantes, de Parada de Lucas
até Vila Maria, com o custo da obra estimado em torno de NCR$
177 milhões.
Após a solenidade, o general e sua comitiva se deslocaram para
o km 225, onde foi oferecido almoço, com a presença
de cinco mil pessoas, entre empreiteiros e operários.
Em 23 de agosto de 1976, era enterrado o presidente Juscelino Kubitschek,
vítima de desastre na rodovia, quando o Opala em que viajava
atravessou a pista, do km 163, hoje 168, ficando embaixo de uma carreta.
O motorista também morreu.

Concessão:
Acidentes Reduzidos
Em 1º de março de 1999, a Presidente Dutra completou três
anos sob administração da NovaDutra, com o pedágio
sendo cobrado a partir de 1º de agosto de 1996. A concessionária
informou ter realizado obras de recuperação e modernização
ao longo dos 402 km, separada por 231 km de 20 municípios paulistas
e 171 km de 13 municípios fluminenses. Ao final de 25 anos,
os custos serão de R$ 970 milhões em obras e equipamentos
e R$ 2,5 bilhões em custos operacionais, conforme informou
a NovaDutra.
Assegurou, ainda, que a rodovia recebeu 262 mil metros de muretas
de concreto no canteiro central, outros 268 mil metros de defensores
metálicos e 68 mil de telas anti-ofuscantes. Sete pontes recuperadas,
reformados trevos de acessos e construção de pistas
marginais também constam das realizações até
agora. Entre outros projetos, fazem parte 20 novas passarelas de pedestres.
A concessionária, que mantém quatro postos de pedágio,
destaca também o sistema eletrônico de comunicação,
importado da França, com cerca de 800 telefones de emergência,
estações meteorológicas, de telecomunicações
etc. E, ainda, o SOS Usuário, gratuito, com equipe médica
e paramédica, frota de 100 veículos, entre eles 13 Utis
e 13 carros de resgate. O número 0800-173536 funciona 24 horas
por dia, de segunda a segunda.
Monumento Rodoviário
Através de subscrição pública, o Touring
Club do Brasil construiu o Monumento até 1930, quando a obra
ficou paralisada, por problemas políticos. A construção
foi retomada em 1936, pela Comissão de Estradas de Rodagem
Federais, o futuro DNER.
Inaugurado em 13 de maio de 1938, o Monumento Rodoviário, na
descida da Serra das Araras, em território fluminense, administrado
pelo Touring até 21 de dezembro de 1953, foi passado ao controle
do DNER. Com peças de Cândido Portinari, acha-se fechado
há vários anos.