Instituto de Botânica fará compensação ambiental do trecho norte do Rodoanel

Postado dia 18/8/2012 | | 0 comentário

A empresa responsável pela obra do trecho norte do Rodoanel, DERSA-Desenvolvimento Rodoviário S/A, contratou o Instituto de Botânica (IBt) como órgão consultor e orientador da recuperação da vegetação afetada com a construção.

O instituto ficará responsável pelo conhecimento da flora, resgate de plantas e a restauração ecológica nos reflorestamentos compensatórios. O documento SMA 01/2012 foi assinado na quinta-feira, 9, na sede da companhia, pelo diretor do IBt, Luiz Mauro Barbosa, o presidente da Dersa, Laurence Casagrande Lourenço e o diretor de engenharia Pedro da Silva.

O contrato de R$ 2,5 milhões tem duração de três anos e estabelece a parceria dos órgãos públicos para acompanhar compensação de perda da vegetação nativa. Com 43,8 km de extensão, e aproximadamente 300 m de largura, o trajeto da obra rodoviária passa pelo Parque Estadual da Serra da Cantareira, maior floresta urbana do mundo e patrimônio da humanidade. No entanto, a Dersa empenha-se em minimizar os impactos da obra, com grande parte da rodovia projetada em túneis, para evitar a supressão de vegetação, e a contratação do Ibt como instituição responsável pelo estudo de mitigação.

O acompanhamento do reflorestamento compensatório pelo Instituto de Botânica de São Paulo (IBt), “ou outra instituição do mesmo gabarito”, é exigência do Estudo de Impacto Ambiental – Relatório de Impacto de Meio Ambiente, o EIA-RIMA, da obra que, por seu porte, tem medidas condicionantes de mitigação dos impactos ambientais para ser aprovada e licenciada. O documento propõe que haja o resgate de flora, assessoramento e acompanhamento dos plantios compensatórios.

Competência

A condição atesta a credibilidade do trabalho técnico do Instituto, que conta com corpo técnico de 80 profissionais, entre pesquisadores e assistentes de pesquisas. Desses, cerca de 60 vão a campo para garantir a alta qualidade do trabalho, que consiste em três etapas: reconhecimento da paisagem natural, resgate das espécies e restauração mitigatória.

Essa não é a primeira vez que os botânicos do instituto são designados para tamanha responsabilidade. O trabalho realizado pela equipe de Barbosa no trecho sul da megarrodovia foi exemplo de recuperação ambiental. A técnica e metodologia de monitoramento da vegetação danificada e reprodução da floresta nativa em áreas próximas foi desenvolvida pelo IBt. A iniciativa foi inclusive responsável pela descoberta de espécies raras e ameaçadas de extinção e uma delas, a Tillandsia linearis, era até então considerada extinta.

Dessa vez, com mais experiência no processo e com a metodologia aprimorada, o Instituto de Botânica tem a chance de prestar um serviço de assessoria ainda de maior qualidade. “No (trecho) Sul fomos improvisando. Dessa vez poderemos comparar a paisagem antes e depois da obra, e analisar o resultado. Não vamos perder nada, as árvores de pequeno porte serão removidas da floresta natural do traçado para as laterais da estrada. As que não permitirem remoção e acabarem sendo cortadas serão reproduzidas em viveiro e replantadas. E aproveitamos o trabalho para produzir e replicar conhecimento científico” declara Luiz Mauro Barbosa.

Os botânicos visitarão o local antes, durante e depois da construção da rodovia. Além do acompanhamento das atividades, os técnicos também realizarão cursos de capacitação aos funcionários da empreiteira. “A conscientização ambiental acontece no chão da obra”, comenta Barbosa.
Melhorias

“Estamos construindo um novo caderno de boas práticas ambientais”, declara Laurence Casagrande, da Dersa. O presidente da companhia se refere à melhoria dos trabalhados entregues à população, nesse caso, a floresta duradoura. “Agora o plantio compensatório é feito corretamente e ainda gera produtos”, completa ele.

Laurence está certo. O trabalho vem gerando produtos além da compensação. “Desenvolvemos um guia de espécies para facilitar a empreiteira na hora de escolher as mudas. Percebemos que muitas vezes a falta de conhecimento resultava na aquisição espécies não desejadas”, informa o diretor do Botânico sobre o guia que acabou virando publicação.

A Mata Atlântica, onde passa o trecho sul do Rodoanel, escondia segredos que foram revelados graças ao trabalho do IBt mata adentro. Espécies raras, ameaçadas de extinção e uma já considerada erradicada foram descobertas durante o monitoramento da vegetação e hoje elas são reproduzidas no viveiro Tamboril, do IBt, inaugurado recentemente.

Além do conhecimento científico e das descobertas, o trabalho também foi responsável por aprimoramento nas orientações da SMA. Visando replicar a dinâmica natural da floresta, Barbosa conseguiu, com a Resolução SMA-21, publicada em 2001, a determinação legal de regras do reflorestamento. Antes, por hectare, eram plantados no máximo 30 espécies, agora há obrigatoriedade do mínimo de 80 espécies no plantio (Resolução SMA 08/08), aumentando a biodiversidade da mata e aproximando a floresta plantada da original. “É assim que as florestas se estabelecem e podem se autossustentar”, diz ele.

A mudança da legislação impulsionou a produção de mudas por viveiros. Hoje são 208 viveiros cadastrados, a estimativa de Barbosa é que produzam 41 milhões de mudas por ano, representando mais de 600 espécies florestais nativas sendo produzidas no estado de São Paulo.

Evolução

O Rodoanel Mário Covas começou a ser construído pelo trecho Oeste, que era o mais antropizado. Apesar da grande urbanização da área, a compensação ambiental também era exigência desse trecho. No entanto, sem a experiência necessária, o replantio não deu resultados satisfatórios.

Aprendendo com o erro, o trabalho de mitigação de impacto da segunda parte licenciada do Rodoanel, o trecho sul, foi feita com o acompanhamento do Instituto de Botânica.

Apesar da alta competência do trabalho, a contratação tardia do Instituo de Botânica pelo DERSA (um acordo entre SMA/DERSA/MP Federal) para acompanhar o reflorestamento acabou apressando o trabalho.

Já o trecho Norte da rodovia segue a cartilha. A parceria é estabelecida com antecedência, permitindo aos pesquisadores tempo para realizar o estudo com mais detalhes e monitorar e acompanhar a evolução da área plantada periodicamente.


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