A paralisação dos caminhoneiros nas rodovias trouxe muitos momentos de tensão ao longo de praticamente duas semanas. Ao contrário do que faziam parecer seus supostos líderes ela não era de toda espontânea. Muitos caminhoneiros foram obrigados a entrar nos postos ou estacionar nos acostamentos em função das ameaças que sofriam. Um caminhoneiro de 70 anos foi morto com uma pedrada, outro espancado e ainda teve quem tombou por causa dos manifestantes. Essa estratégia foi usada nas paralisações anteriores e aperfeiçoada nesta última. É bom que se diga que isto não quer dizer que as reivindicações não eram justas.

Manter a pista livre para os veículos leves, conter eventuais conflitos, garantir escolta para os comboios e no final para aqueles que desejavam seguir viagem não foi uma tarefa fácil para as polícias rodoviárias.
Considerando as centenas de pontos de manifestações nas rodovias federais e o número de dias da paralisação, temos que reconhecer o trabalho extraordinário da PRF que conseguiu, com o apoio de outras forças, evitar situações de confronto e cujos policiais contornaram com muita habilidade milhares de momentos de tensão. A PRF atuou como verdadeira força democrática, respeitando as leis e o bom senso, apesar de frequentes abusos nas estradas praticados por manifestantes.

Essa atuação equilibrada e competente tem ainda mais méritos quando sabemos que a PRF tem atualmente um quadro de 10 mil policiais, precisaria de 16 mil e a legislação prevê 13.098. A possibilidade de alterações nas aposentadorias do serviço público estimula muitos policiais a se aposentarem antes das mudanças. Na prática podemos ficar com cerca de 7.000 policiais rodoviários em poucos anos.

O efetivo atual da PRF é o mesmo que tinha em 1997 quando cuidava de menos de 55.000 km de rodovias contra os mais de 70.000 km de hoje. Além disso, a frota de veículos era 1/3 da atual e os índices de criminalidade infinitamente menor há 20 anos atrás.

É importante que o Governo entenda definitivamente que precisa aumentar o efetivo de PRF e dar condições para que ela atue com eficiência. Até porque quando a PRF reduz acidentes, salva vidas, combate o tráfico de drogas, o contrabando de mercadorias e armamentos, ela gera uma economia para o Estado que seguramente é muito maior que o eventual custo de abrir novos concursos e aumentar o efetivo.

Ninguém nega que a PRF precisa melhorar e que tem muito a ser aperfeiçoado, mas inegável que na greve dos caminhoneiros a PRF provou ser importante como polícia de trânsito e força de combate ao crime, mas que acima de tudo é essencial para a manutenção da Democracia.

Autor: Rodolfo Rizzotto – Coordenador do SOS Estradas – Programa de Segurança nas Estradas e editor do portal www.estradas.com.br

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