Modernizar e eficientizar a infra-estrutura da logística de

transportes de Mato Grosso é uma prioridade tão estratégica

para o seu desenvolvimento econômico que deveria constar como

item prioritário na agenda da campanha de todos os candidatos a

governador, senador, deputados federais e estaduais.

Há uma unanimidade no âmbito empresarial, acadêmico e público

que a matriz da logística de transportes de Mato Grosso tem

atuado como um fator inibidor do nosso crescimento econômico.

Os elevados custos de transportar quase toda a sua produção em

longas distâncias até os grandes centros consumidores ou portos

de exportação em rodovias de péssima qualidade, tiram a

excepcional competividade que os empresários mato-grossenses

conseguem dentro das fazendas ou das incipientes indústrias.

Nesse contexto, a necessidade de duplicar a rodovia federal BR

364, no trecho entre as cidades de Rondonópolis até Jangada é

urgente e inquestionável. O trecho reveste-se de importância

estratégica por ser o de maior intensidade de uso,

transformando-se, por conseguinte, no maior gargalo em nossa

deficiente malha de transportes de cargas e passageiros.

Defendo que a duplicação desse trecho seja feita através do

sistema de concessão de rodovias federais para a iniciativa

privada. Todos os investimentos serão feitos pela empresa ou

consórcio de empresas vencedores e sua exploração efetuada por

25 anos com a respectiva cobrança de pedágio. O governo federal

já anunciou mais uma etapa do seu programa de concessões de

rodovias federais. Estranhamente o trecho da BR 364 não consta

do programa federal. Mais estranhamente, ninguém em Mato Grosso

levantou a voz contra isso ou sugeriu a inclusão do trecho nos

editais de concessão que a Agência Nacional de Transportes

Terrestres – ANTT expôs à consulta pública. Estão nesse edital

a privatização da BR-153 (divisa de MG/SP – divisa de SP/PR); a

BR-116 (Curitiba – divisa SC/RS); BR-393 (divisa MG/RJ – Via

Dutra); BR-101 (divisa ES/RJ – ponte Rio Niterói); BR-381

(Fernão Dias – SP-B. Horizonte); BR 116 (R. Bitencourt – S.

Paulo-Curitiba) e BR 116/376/101 (Curitiba – Florianópolis).

Nos estudos da ANTT o valor teto do pedágio varia de R$ 3,12 a

R$ 4,61, dependendo do trecho. Para ganhar a concessão, os

investidores teriam de oferecer tarifas menores que essas. Como

os demais, o trecho da BR 364 de Rondonópolis a Jangada (398

km) apresenta viabilidade econômica, sendo atrativa a sua

exploração pela iniciativa privada. Nesse trecho, segundo

pesquisa feita pelo Centran, órgão do Ministério dos

Transportes, circulam mais de 36 mil veículos diariamente,

entre carros de passeio, de passageiros e de cargas. Somente

caminhões são 26.503 diariamente. A pesquisa foi feita durante

o mês de novembro de 2005.

O governo federal nunca demonstrou interesse em fazer a

duplicação e, atualmente, nem apresenta condições financeiras

para fazê-lo. Os estudos da ANTT para os trechos liberados para

leilões de concessão, mesmo com os elevados investimentos

necessários, apresentam boa rentabilidade, com taxa interna de

retorno acima entre 15% e 17%. A definição de marco regulatório

pela ANTT e as atuais condições de estabilidade econômica, são

fatores que motivam a iniciativa privada a investir na operação

privada de rodovias brasileiras. Ademais, o governo federal já

demonstrou ser um péssimo gestor de rodovias. Aqui em Mato

Grosso constatamos isso diariamente ao longo das últimas

décadas.

A operação privada desse trecho da rodovia contribuirá para

melhorar a logística de transportes de Mato Grosso, dando mais

competitividade à nossa produção, mais conforto e segurança ao

transporte de passageiros.