O representante das concessionárias do pedágio, João Chiminazzo Neto, fugiu, mais uma vez, do debate sobre as altas tarifas do pedágio no Paraná. Chiminazzo teve a sua disposição seis datas para participar do debate promovido pela TV Sinal – da Assembléia Legislativa do Paraná. Alegou problemas da agenda e se recusou a debater com os deputados Luiz Claudio Romanelli (PMDB), Péricles Melo (PT), Élio Rusch (DEM) e Douglas Fabrício (PPS) e com secretário de Transportes do Paraná, Rogério Tizzot.

Fabrício foi convidado no lugar do deputado Valdir Rossoni (PSDB) que também se recusou a participar do Programa Plano Geral. O programa foi gravado nesta quarta-feira (2) e vai ao ar na próxima segunda-feira (7), às 18h30, nos canais 21 (aberto), 16 (NET) e 99 (TVA). Nota-se que Rusch e Rossoni votaram pela aprovação da implantação do pedágio em dezembro de 95.

A ausência de Chiminazzo foi bastante criticada pelos quatro deputados: Romanelli, Melo, Fabrício e Rusch. Eles lamentaram a fuga do diretor da ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias). “Perdemos uma boa oportunidade de debater o problema”, disse Rusch. “A discussão sem a presença da ABCR fica bastante prejudicada”, reforçou Fabrício.

“Já fizemos 12 perguntas ao Chiminazzo e que até agora não obtivemos a respostas. No debate, eu repetiria as perguntas, mas como ele se ausentou novamente, vou deixar registradas as questões que todo o Paraná quer saber: por que o pedágio é tão caro? E por que as concessionárias se recusam a reduzir as tarifas tão altas”, disse Romanelli.

Leia a seguir as perguntas de Romanelli ainda sem respostas da ABCR.

1 – Quais foram as justificativas para as concessionárias aumentarem a TIR (taxa interna de retorno) quando assinaram os termos aditivos de 2000 e 2002?

2 – Já é praticamente consenso que as tarifas praticadas pelas concessionárias paranaenses são altas. Sendo assim, por que as concessionárias pretendem solicitar reajuste em novembro/2007?

3 – Qual a explicação para a variação do custo de construção do contorno de Mandaguari, tendo em vista que na proposta comercial era previsto R$ 25.198.320,00; no termo aditivo 2000/2002 passou para R$ 11.180.339,70; e atualmente foi solicitada a aprovação de um projeto no valor de R$ 32.296.038,67?

4 – Considerando que atualmente a quantidade de pessoal administrativo das concessionárias é menor que o previsto na proposta comercial, por que isto não é levando à modicidade de tarifa?

5 – Por que os custos de administração, operação e conservação, bem como os de obras (que estão acima de mercado) não são reduzidos no fluxo da caixa, proporcionando a diminuição nas tarifas?

6 – Tendo em vista o exemplo das recentes concessões federais, onde a TIR previa no edital era de 8,95%, e ainda assim houve desconto de até 65%, qual a possibilidade de as concessionárias do Paraná reduzirem a TIR de cerca de 18/20% para os percentuais de 8,95%?

7 – Qual a explicação para a composição do lote 5 (Rodonorte) refletir no 1º ano de sua formação exatamente as 1ª, 2ª, 3ª empresas classificadas na respectiva licitação? E para situação semelhante em outros lotes?

8 – Qual a explicação para que os custos das obras, quando da solicitação de aprovação de projetos encareçam substancialmente, em relação aos termos aditivos 2000/2002, podendo gerar pedidos de desequilíbrio para o aumento de tarifa?

9 – Já que o presidente da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), João Chiminazzo Neto, disse que a taxa interna de retorno (TIR) não tem relação com o lucro, perguntamos se as concessionárias aceitam equilibrar os contratos com um terço das taxas atuais?

10 – O presidente da ABCR informou no depoimento à CEI que os contratos podem ser revistos desde que as alterações sejam satisfatórias para o governo e para as concessionárias. Já que o governo representa o povo, o que ele acharia satisfatório para o usuário?

11 – Considerando as tarifas altas como estão pergunta-se: Quais as justificativas para transferir a obra do contorno de Londrina do ano de 1998 para 2020 (22 anos de postergação)?

12 – Como se justifica a exclusão do contorno de Ponte Grossa da relação de obras a construir pela concessionária Rodonorte?