Policiais que perseguiam assaltantes não sabiam que colegas de corporação haviam feito cerco na rodovia com carros particulares. Operação desarticulada causou assassinato de mulher e deixou engenheiro ferido

As equipes de policiais militares que participaram da perseguição a assaltantes que terminou com a morte da representante comercial Ana Paula Nápoles, de 27 anos, não trocaram informações sobre a operação, principalmente sobre o cerco feito na MG-10 com carros particulares. A informação é de um oficial da Polícia Militar, que prefere se manter no anonimato. Ele revela que dois policiais, que estavam no bairro Morro Alto, em Vespasiano, na Grande BH, ficaram sabendo da perserguição aos assaltantes pelo rádio da corporação e seguiram para a rodovia, onde pararam os carros particulares, um ao lado do outro, e orientaram passageiros e motoristas a se refugiarem em um matagal, na madrugada de quarta-feira. “Os outros militares que seguiam os assaltantes não sabiam que havia pessoas inocentes naquele local porque não foram comunicados sobre o bloqueio”, observou.

A operação foi considerada irregular pelo Comando Geral da PM, que afastou os 13 policiais envolvidos. Militares perseguiram três assaltantes desde Pedro Leopoldo, na Grande BH, onde eles arrombaram o Fiat Tipo GTA 6476, do bancário Marco Túlio Bicalho de Gonçalves. Na MG-10, os militares encontraram o bloqueio feito pelos colegas de corporação, mas como não haviam sido informados, teriam confundindo passageiros e motoristas com os assaltantes em fuga. No tumulto, Ana Paula morreu baleada e o engenheiro e ex-superintendente da Cemig Tarcísio de Castro foi atingido duas vezes. “Fui salvo de receber o terceiro tiro quando um dos PMs, que me parou no cerco, disse ao colega quem eu era”, disse Tarcísio, no dia do crime.

O oficial da PM conta que os assaltantes, em vez de fugirem por um beco e seguir para o bairro, como é de costume, entraram no matagal onde os civis tentavam se proteger. Os criminosos saíram depois de bater o carro na rodovia. Segundo ele, o bloqueio é um plano que envolve todas as unidades de uma mesma região. “Quando é acionado o cerco, a sala de operações tem que repassar para cada viatura onde é o ponto de bloqueio e a posição de cada uma para evitar desencontros. Não se deve tomar decisões individuais sem comunicar aos demais, como foi feito”, informou.

O oficial explica que a retenção de veículos pode ser natural ou produzida. “Ela é natural quando os policiais acompanham os criminosos, mantendo uma certa distância, até um ponto onde o trânsito fica retido, como em semáforos ou engarrafamentos. Na retenção produzida, é usada viatura para bloquear a via, sendo deixada uma pista para que os veículos sejam abordados durante a passagem. Nesses casos, podem ser usados cones ou outros materiais”, acrescentou.

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