Uma tragédia marcou o final de semana em Roraima. Um acidente com um ônibus interestadual da empresa Amatur, que vinha de Manaus (AM) para Boa Vista, na BR-174, deixou o saldo negativo de sete mortos e 22 feridos na manhã do último sábado.

O acidente ocorreu na altura do quilômetro 450 da rodovia, a 140 metros de distância da cabeceira da ponte sobre o rio Mucajaí, em uma curva. O motorista Francisco Rodrigues de Sousa foi surpreendido por um veículo de grande porte, que teria invadido a pista de rolamento na contramão.

Francisco tentou desviar e o ônibus desceu o barranco de aproximadamente oito metros de altura. O motorista auxiliar, Emivaldo Paes, contou que estava dormindo e acordou com grito de Francisco.

O motorista perdeu o controle e veículo percorreu a distância de 72 metros antes de parar em um encharcado. Um recém-nascido de 40 dias foi arremessado para fora do ônibus, juntamente com outras três pessoas.

Uma delas ficou com metade do corpo presa embaixo do ônibus. A criança e uma das vítimas arremessadas para fora do veículo tiveram a cabeça decepada, exposição de vísceras e massa encefálica. A cena de horror chocou quem passava pelo local.

Das 43 pessoas que vinham no ônibus, 22 ficaram feridas, sete morreram e o restante não sofreu nenhuma lesão grave. Segundo a equipe de Reportagem da Folha apurou, a maioria dos passageiros era de Manaus.

Estrada fica interditada por sete horas

Devido às proporções do acidente a Polícia Rodoviária Federal (PRF) interditou parcialmente a via, para evitar maiores conseqüências. A interdição durou mais de sete horas, até a retirada do ônibus do local, que ocorreu com a ajuda de uma retroescavadeira.

O laudo pericial sobre as causa do acidente com o ônibus da empresa Amatur que capotou na BR-174, por volta das 6 horas de sábado, matando sete pessoas, está previsto para ser concluído dentro de dez dias. O tacógrafo do veículo foi retirado após sete horas do acidente e entregue à perícia ainda no local.

Questionado sobre a velocidade do veículo, o perito informou que ele estava ‘dentro da normalidade’. Porém, o tacógrafo deverá ser analisado minuciosamente pelos especialistas da Secretaria de Segurança Pública.

Durante as sete horas de busca e resgate de feridos, dezenas de familiares e curiosos acompanharam a ação dos bombeiros. A dona-de-casa Luzia Oliveira passou mais de seis horas no local aguardando notícias do marido, o empresário Gercidio de Souza Machado, 37, que adiou em um dia a viagem de volta para casa e morreu no acidente.

INTERNADA – Na manhã de ontem, a assistente social do Hospital Geral de Roraima, Rosimeire Costa, confirmou que apenas a passageira Jose Carla Sousa encontra-se internada e sem previsão de alta médica. Ela teve fratura na tíbia, braços e escoriações por todo o corpo. Os demais receberam atendimento médico e foram liberados para casa.

A filha de Jose Carla, o bebê de 40 dias que foi arremessado do ônibus, Maria Luiza de Souza Costa, permanece em conservação no Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), em razão da mãe ainda querer ver a filha, quando receber alta.

Menino que trocou de cadeira com passageira escapou da morte

O passageiro Valcimar Lima de Sousa, 44, viajava com os filhos Andrezza e Andrew Felix de Sousa, 11 e 14 anos, respectivamente. Ele contou que estava dormindo com os filhos e acordou quando o ônibus já tinha parado.

Valcimar lembrou que seu filho estava na poltrona 17 e trocou pela poltrona 21, a pedido de uma passageira. A mulher que trocou de lugar com o menino foi uma das vítimas fatais.

A passageira Luana Stefania Feitosa Magalhães tinha algumas escoriações pelo corpo e comentou sobre os momentos de terror que passou no acidente. “Estávamos em Mucajaí às 6 horas e, em questão de minutos, o ônibus estava no barranco. Foi horrível”, contou.

CORAÇÃO – A tia de Luana Stefania Feitosa Magalhães, a passageira Raimunda Feitosa, estava retornando de uma viagem ao Amazonas, onde realizou exames para uma cirurgia. Ela ficou com a pelve presa embaixo de uma coluna do ônibus.

Raimunda estava consciente quando os bombeiros da busca e salvamento chegaram ao local. O médico Josué Paneque monitorou a vítima e informou que ela teve fratura no fêmur e na pelve, que pode ter ocasionado alguma hemorragia.

A mulher ainda foi retirada com vida do interior do ônibus, mas teve uma parada cardíaca com choque hipovolêmico, assim que foi colocada na ambulância e morreu antes de chegar ao Pronto Socorro Estadual. Ela foi a sétima vítima fatal.