No trânsito de Fortaleza, acontece um acidente a cada 24,4 minutos, um atropelamento a cada 3,6 horas, e uma pessoa morre a cada 27,6 horas. As estatísticas da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania (AMC) baseiam-se nos acidentes do ano passado – os números de 2004 ainda estão sendo tabulados – mas servem bem para justificar a decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS) de colocar a violência do trânsito como tema do Dia Mundial de Saúde, que acontece hoje. A intenção é mostrar, como uma questão de saúde pública, o problema que lidera as estatísticas mundiais de mortes violentas por causas externas, sem contudo, conseguir sensibilizar a população. Só no ano passado, por exemplo, 317 pessoas morreram, em Fortaleza, vítimas do trânsito, outras 9.637 ficaram feridas.

As mortes violentas por causas externas são hoje a segunda causa de óbitos no Estado, ficando atrás apenas das doenças do aparelho circulatório. Dentre as mortes violentas, os acidentes de trânsito contribuem com maior percentual de óbitos do que os homicídios e os suicídios. A pesquisa mais recente do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), com dados ainda de 2002, mostra uma ascendência no risco dos cearenses morrerem vítimas de acidentes de trânsito no Estado. De positivo, só o fato da diminuição desse risco na capital.

Mesmo assim, hoje, os indicadores estão apontando para a nova realidade dos acidentes de trânsito: eles viraram epidemia. A supervisora do Núcleo de Epidemiologia e Análise de Saúde da Sesa, Marilac Meireles, por exemplo, diz que o problema está tão crítico que alguns especialistas já o estão denominando de “epidemia de acidentes de trânsito”. Uma denominação que pode até parecer inadequada, mas que vem se fortalecendo tendo em vista a inserção desse tipo de acidente dentro dos critérios identificadores de uma epidemia: a magnitude, a quantidade de pessoas atingidas por ela, e a influência do comportamento do indivíduo para sua manutenção. Exemplo disso é o fato de que embora sejam feitas inúmeras campanhas tentando sensibilizar o motorista para não beber quando for dirigir, ele continua ingerindo álcool e dirigindo.

Na tentativa de reverter a situação – a meta estadual é reduzir em até 10% os óbitos por causas externas até 2006 – o Governo trabalha com a necessidade de uma intervenção intersetorial. “Não cabe ao setor de Saúde resolver o problema sozinho ou mesmo arcar com todos os ônus”, diz Marilac. Só para se ter uma idéia, diz ela, em 1998, ano da implantação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), quando todos os órgãos públicos e a própria sociedade se mobilizaram em torno do assunto, houve uma redução no número de acidentes e mortes. Foi a única vez, de 1996 a 2002, que as mortes violentas por causas externas ficaram em terceiro lugar em causa de óbito no Estado. As neoplasias, hoje em terceiro lugar, assumiram a segunda posição na época.

De qualquer modo, desde o ano passado, o Governo Federal começou a exigir providências dos gestores públicos. Em julho de 2003, uma portaria do Ministério da Saúde exigiu a implantação de uma coordenação estadual de Urgência e Emergência para organizar as política estadual de atenção às urgências. Neste momento, inclusive, o Ceará já tem seu plano estadual elaborado, mas ainda em processo de estudo para implantação.

Uma dos objetivos é justamente melhorar a qualidade do atendimento para diminuir os custos. Atualmente, o Sistema gasta muito com as internações, cirurgias, próteses, pronto atendimento e a Previdência. Só para se ter uma idéia, conforme dados da AMC, no ano passado, os custos com acidentes de trânsito atingiram R$ 252 milhões em Fortaleza. Recursos gastos desde o momento do atendimento na rua até o tratamento hospitalar.

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