A questão que trata do uso de inscrições, pictogramas e películas nas áreas envidraçadas dos veículos não aborda somente a segurança do condutor, mas também do pedestre, do ciclista, do condutor em outro veículo, e ainda do agente de trânsito durante as abordagens. Nos registros de acidentes ocorridos somente na capital, há casos de carros peliculados fora do padrão que estavam sendo conduzidos por pessoas embriagadas, já que a maioria dos carros que circulam atualmente em Macapá possuem a famosa película como forma de combater o calor, e por vezes, oferecer privacidade para o condutor.

O caso mais recente aconteceu na Rodovia Juscelino Kubistchek, em frente a Unifap (Universidade Federal do Amapá), na semana passada, quando um casal foi violentamente atropelado por um veículo preto e peliculado, conforme informações de testemunhas. O condutor ainda não foi identificado, mas estipula-se que ele estivesse embriagado dada a gravidade do acidente que deixou as vítimas a aproximadamente 50 metros do local onde foram apanhadas pelo carro.

Para demonstrar os números, a Citran (Companhia Independente de Trânsito) mostrou um relatório de atendimentos de ocorrências de trânsito feitas desde janeiro de 2008. O total de atendimentos feito foi de 1.767, com média de acidentes mensal ficando em 220,87. Os mais freqüentes são o abalroamento, atropelamento e a colisão, sendo que o atropelamento registrou 121 casos com média de 15,12 por mês. ” As pessoas questionam as fiscalizações, mas não percebem que a questão do trânsito no Amapá seria resolvida muito mais rapidamente se houvesse conscientização. O acidente com esses ciclistas aconteceu a exatamente dois minutos antes da minha passagem pela Rodovia, eu estava com a minha equipe levando os cones para a Expofeira quando uma policial viu os corpos no chão. O motorista se evadiu, sem ao menos prestar socorro” , lembrou.

Das vítimas parciais, 923 foram levadas para receberem os primeiros socorros no Hospital de Emergências, enquanto 21 foram fatais, sendo recolhidas do próprio local do acidente de trânsito, essa média é de 2,63 ao mês. ” Aqui não constam os números dos carros peliculados, mas no meu entendimento seria bem mais fácil identificar quantas pessoas estariam dentro do veículo se ele não estivesse peliculado, se houvesse como descrever quem conduzia o carro. Então, há sim uma necessidade de se fazer cumprir as normas para evitar certos comportamentos descabidos que acontecem no nosso trânsito” , equilibrou o Coronel.

Norma. A resolução 254 institui que o índice de visibilidade dos vidros traseiros passa a ser 28%, para efeito de fiscalização. Em caso de autuação, será feito o documento quando tal índice for inferior a 26% nos casos permitidos a 28%, 65% para o limite de 70% e 70% para os casos de 75%. Caso não sejam cumpridas, o condutor do veículo flagrado pode ter em sua carteira uma infração grave, cuja multa cobrada é no valor de R$ 127, 69, além de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação e a retenção do carro até a regularização. ” Períodos atrás, fizemos uma medição de películas em todos os estabelecimentos na Avenida Padre Júlio, e verificamos que nenhum deles estava dentro do padrão. Outra questão trata do veículo dianteiro, mas ele não necessita de película, uma vez que ele já vem temperado de fábrica” , finalizou.