Pelo menos um trecho do anel rodoviário do estado, que deverá estar concluído nos próximos dois anos, poderá ser custeado por pedágio. O projeto técnico da obra analisará a necessidade da cobrança. O trecho da BR-101 entre Itacuruçá e a Avenida Brasi, num percurso de 22 quilômetros, será explorado sob o regime de concessão à iniciativa privada, de acordo com o convênio celebrado entre o governo estadual e o Ministério dos Transportes. O arco terá 145 quilômetros do anel e cortará a Baixada Fluminense, passando pelos municípios de Itaguaí, Seropédica, Japeri, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Magé, Guapimirim e Itaguaí.

A decisão sobre a cobrança de pedágio caberá ao governo federal. O governo do estado será responsável pelo estudo de viabilidade técnica e os recursos para o projeto já foram liberados pela governadora Rosinha Matheus. O estado é contrário à cobrança de pedágio. O secretário de Integração Governamental, Luiz Rogério Magalhães, defende que a tarifa – caso seja necessária – seja cobrada somente de caminhões e ônibus. O Ministério dos Transportes não se pronunciou sobre o assunto.

– O estado não quer que seja cobrado pedágio dos motoristas. Mas, se houver necessidade, que seja debitado das empresas – defende Luiz Rogério Magalhães.

Obra poderá agravar situação dos sambaquis

A construção do anel rodoviário, que custará R$ 610,5 milhões ao governo federal, poderá causar um impacto negativo nos sítios arqueológicos existentes no entorno da rodovia Magé-Manilha – uma das que deverão ser duplicadas, de acordo com o projeto. A arqueóloga Rhoneds Perez, do Museu Nacional, alerta para o risco de degradação dos sambaquis (pequenas elevações formadas de restos de alimentos de origem animal, esqueletos humanos, artefatos de pedra, concha e cerâmica, vestígios de fogueira e outras numerosas evidências da presença do homem primitivo). De 1975 para cá, 14 dos 20 sítios arqueológicos que existiam na região desapareceram, depois da construção de estradas.

– Caso não leve isso em conta, a obra poderá comprometer o investimento do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara – adverte a arqueóloga.

Arco rodoviário terá quatro segmentos

O anel terá uma rodovia em pista dupla, composta de quatro segmentos. A obra fará a ligação dos trechos do chamado segmento C: entre a BR-040 (Rio-Juiz de Fora), a BR-465 (antiga Rio-São Paulo), a BR-116 (trecho da Via Dutra), a BR-101 (Rio-Santos) e o Porto de Sepetiba, numa extensão de 76 quilômetros.

Dois trechos do anel serão duplicados – o da rodovia BR-493, entre o entroncamento com a BR-101, em Manilha, e o entroncamento com a BR-116, em Santa Guilhermina; e o da rodovia BR-116, entre o entroncamento com a BR-493, em Santa Guilhermina, e o entroncamento com a BR-040, em Saracuruna, numa extensão de 47 quilômetros. O trecho da BR-101 entre Itacuruçá e a Avenida Brasil terá 22 quilômetros.

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