Os moradores da cidade de Várzea Alegre, distante 445 km de Fortaleza, reclamam contra o atraso no conserto do pontilhão sobre o Riacho Machado que dá acesso à cidade, na CE-060 (Estrada do Algodão). Há exatamente um mês, a ponte cedeu, cortando o tráfego entre a região do Cariri e o Sul do Ceará. Empresários e políticos locais pedem agilidade no restabelecimento do acesso rodoviário.

Para a maioria dos moradores, o atraso no conserto da ponte é injustificável. O médico e vereador, Francisco Batista Rolim, lembra que entre Várzea Alegre e Farias Brito, na BR-230, houve dois cortes na rodovia, mas que rapidamente foi restabelecido. “O Dnit, órgão do Governo Federal, rapidamente fez o conserto, desviando o riacho que dava maior vazão de água”, disse. “Isso aqui é um absurdo porque o buraco é pequeno e o serviço já poderia ter sido feito”.

O pontilhão cedeu no meio e a estrutura das virgas e pilares foi abada. Na ombreira direita, o muro de contenção ruiu e formou-se um buraco de aproximadamente dois metros por três de profundidade. Apesar do risco de acidentes, há dias que o acesso sobre o pontilhão danificado é feito de maneira precária. O desempregado Cícero Luís de Souza coloca umas pranchas de madeira que permitem a travessia de veículos, inclusive caminhões.

Os motoristas pagam entre R$ 2,00 e R$ 5,00, uma espécie de pedágio para passar sobre o pontilhão danificado. Cícero de Souza revela que fatura cerca de R$ 300,00 por dia e que desde o início do serviço já ganhou mais de R$ 3 mil. “Não tem perigo e só passar devagar e com cuidado”, disse. “Eu espero que o conserto demore bastante”. O curioso é que ele permanece por todo o dia, sem ser importunado. À noite, ele coloca um rapaz para substituí-lo.

Além do atraso no conserto do trecho, os motoristas reclamam contra o pagamento do pedágio e mostram-se indignados. “Isso aqui é uma vergonha”, disse o vendedor de jóias, Francisco Carlos Pereira de Souza, da cidade de Juazeiro do Norte. “Já que todos os carros estão passando, o Dert deveria fechar esse pequeno buraco ou proibir a cobrança desse pedágio”. O que mais irrita a comunidade de Várzea Alegre e os motoristas é que o serviço é de pequena dimensão.

O empresário Jorge José de Andrade, dono de um loja de atacado, em Várzea Alegre, conta que já gastou R$ 1,2 mil com despesas extras de frete para trabalhadores levarem mercadorias para a empresa. “Todos nós estamos prejudicados”, disse. “As vendas caíram e temos maior custo com o transporte”. O vendedor de bebidas, João Lázaro Florentino, disse que vende, a cada quinzena, cerca de R$ 6 mil, mas prefere não atravessar a ponte e paga o frete a mais para o transporte das caixas em um reboque puxado por uma moto. Os estudantes que moram na zona rural também estão prejudicados.

Todos os dias, cerca de 400 alunos fazem a travessia a pé e seguem caminhando até a escola na cidade de Várzea Alegre. Os caminhões do transporte escolar também preferem não atravessar o pontilhão e ficam estacionados nas margens da rodovia. “Se o Governo quisesse já teria feito esse serviço que agora estão realizando em caráter emergencial”, disse o dono de topique Antônio Inácio da Costa que faz a linha diária entre Várzea Alegre e Iguatu.

O vendedor de água, bolo, café e outros alimentos, Cícero de Andrade, está lucrando com o atraso no serviço e fatura por dia, uma média, de R$ 70,00.

Troncos de carnaúba sustentam ponte

Operários da Construtora Coral estão há três dias trabalhando na colocação de dezenas de troncos de carnaúba para sustentar a ponte sobre o Riacho Machado. No último domingo, foi feito o serviço de colocação de pedra e cimento para fechar o buraco de apenas dois metros quadrados no muro de contenção. Hoje deve ser aterrado um lado entre a ponte e a rodovia, cerca de quatro metros cúbicos.

O encarregado da Construtora Coral, empresa que tem o contrato de conservação da rodovia CE-060, entre o trecho Iguatu e Várzea Alegre, Manuel Alves de Souza, conhecido por Pernambuco, disse que o trafego pode ser liberado até esta sexta-feira. “Será utilizada uma única mão, meia pista sobre a ponte”, disse. “O aterro começou a ser feito na quarta-feira, e depois disso, vamos construir um meio-fio sobre o pontilhão e sinalizar para garantir a passagem de um veículo de cada vez”.

Enquanto o encarregado da obra prevê rapidez no serviço, a gerente do Distrito Operacional do Dert, em Iguatu, Dina Moreira, pensa diferente. “Só vamos liberar o tráfego quando todo o serviço estiver concluído, com sinalização vertical e horizontal”, disse. “Vamos trabalhar com segurança, por isso a liberação deve ocorrer no final desta semana”.

Dina Moreira contestou as afirmações dos moradores e dos motoristas, esclarecendo que antes não dava para fazer o serviço por causa do nível das águas que era elevado. Ela também esclareceu que a colocação de tábuas para passagem de veículos é um ato clandestino. “Só acontece quando fiscais do Dert não estão presentes”, disse. “Se houver um acidente esse rapaz será responsabilizado”.

A Construtora Coral também está concluindo um acesso emergencial na localidade de São Caetano também na CE-060, cuja ponte ruiu em 27 de janeiro passado. Atualmente existe um desvio precário.

Foram colocados sacos de areia para contenção do aterro das ombreiras, sendo preenchido com terra o espaço onde a ponte ruiu. A passagem será de um só veículo. “Queremos liberar as duas passagens de uma só vez”, disse Dina Moreira. “É um serviço emergencial e a partir de julho as pontes devem ser reconstruídas”.

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