É tanto tempo perdido no trânsito que os paulistanos estão se rendendo à idéia do pedágio urbano. Dados preliminares de pesquisa Ibope encomendada pelo Movimento Nossa São Paulo mostram que, entre 2007 e 2008, o porcentual de favoráveis à restrição passou de 13% para 24%. No período, o tempo médio para se deslocar até o trabalho ou escola aumentou de uma hora e 40 minutos para duas horas.

Para o secretário executivo do movimento, Maurício Broinizi, a mudança de opinião é reflexo da preocupação com problemas futuros. “Ter de enfrentar diariamente o congestionamento, a poluição e as dificuldades com o transporte coletivo acaba influenciando”, diz.

A pesquisa indicou que 54% dos entrevistados já concordam com um rodízio municipal de veículos de dois dias. O Ibope ouviu 805 pessoas com mais de 16 anos, na capital, entre 5 e 11 de setembro.

Sem entrar num ônibus há mais de 15 anos, a analista de sistemas Celeste Fernandes, de 40 anos, está no grupo de quem é a favor de medidas restritivas. Como mora em Moema e trabalha em Pinheiros, não usa o metrô. “Mas com certeza deixaria o carro em casa, se meu bairro tivesse uma estação.”

Para o engenheiro de transportes e professor da Escola Politécnica da USP Jaime Waisman, o transtorno que as pessoas enfrentam no trânsito é tão agudo que elas se dispõem a fazer certo sacrifício. “Mas é da boca para fora. Pedágio urbano e ampliação do rodízio são ilusões, não vão resolver o problema. Só vai melhorar com investimento pesado em transporte público.”