Das 75 balanças existentes nas rodovias federais sob administraçaõ do poder público, 62 (82,66%) estão paralisadas ou fora de operação. A informação é do próprio Departamento Nacional de Infra-Estrutura Terrestre (DNIT), órgão do Ministério dos Transportes. A falta de funcionamento das balanças permite o tráfego de veículos com excesso de peso e compromentem a conservação das estradas federais.

Segundo o DNIT, das 75 balanças, quatro estão em “operacionalização” e apenas nove (12%) estão ativas. O engenheiro Neuto Gonçalves dos Reis, com mestrado em engenharia de transportes pela Universidade Federal de São Carlos (SP) e técnico da NTC, a associação que reúne os transportadores de cargas, lamenta a situação. “Durante longo tempo participei de um grupo de técnicos de várias entidades coordenado pelo Denatran para discutir os efeitos do excesso de peso sobre a estradas. Discutir esse assunto é uma piada, pois não há respaldo, ou seja, as balanças estão inoperantes”, afirma Reis.

De acordo com o engenheiro, “20% de excesso de peso encurta em 52% a vida do pavimento”. Ou seja, uma estrada que duraria 10 anos, submetida a 20% de sobrecarga, tem sua vida reduzida para 4,8 anos. A desatenção com as balanças acompanha o Brasil há décadas e, certamente, é uma das causas para a deterioração da infra-estrutura rodoviária, que penaliza os custos logísticos.

No ano 2000, quando o DNIT ainda era DNER, das 41 balanças existentes na ocasião, 40 estavam inoperantes. Na época havia 34 balanças em licitação. Se o quadro das estradas federais é de balanças inoperantes, nas rodovias privadas, operadas pelos concessionários, as balanças funcionam até porque, ao coibirem excessos de peso, garantem maior segurança e longevidade à pista.

Cláudio Adamucho, diretor de negócios do Grupo G10, um dos maiores transportadores rodoviários de safras do país, lamenta a situação das estradas brasileiras e mais ainda a inoperância das balanças. “A regra na nossa empresa é que os 300 bitrens (cada bitrem é composto por um cavalo-mecânico que traciona duas carretas) só operem nos limites previstos pela chamada Lei da Balança, ou seja, com 57 toneladas brutas”, acentua.

Além de controle do próprio negócio, outra razão que estimula o G10 a rodar dentro da Lei da Balança é a contenção de custos. “Excesso de peso abrevia a vida dos pneus, aumenta o consumo de diesel, enfim, aumenta os custos operacionais”, diz Adamucho.

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