Trecho que liga a Paraíba ao Rio Grande do Norte é considerado de grande risco para os motoristas

Os caminhoneiros devem redobrar os cuidados ao dirigirem pela BR-101 Norte, no trecho que fica no município de Mamanguape, na divisa da Paraíba com o Rio Grande do Norte. Dados do Núcleo de Operações Especiais da 14ª Superintendência de Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam que é neste local onde ocorrem a maioria dos assaltos a cargas na Paraíba.

Entre eles, está o caso das cargas que foram encontrados em um esconderijo subterrâneo em uma fazenda, no município de Jacaraú, localizado a 84 quilômetros de João Pessoa. O mais recente aconteceu na noite de terça-feira passada, quando seis homens armados de revólveres, pistolas e espingardas calibre 12 assaltaram uma carreta carregada de produtos da empresa Nestlé. Eles fugiram, mas a carreta foi abandonada, sem a carga, na BR. O prejuízo é estimado em mais de R$ 65 mil e ninguém havia sido preso até sexta-feira passada.

O chefe do Núcleo de Opera-ções Especiais da PRF na Paraíba, inspetor Marcondes Ladislau Bezerra, informou que, em 2003, foram registrados 12 assaltos a cargas no Estado. Este ano, de janeiro até a última sexta-feira, havia acontecido apenas o de terça-feira. As estatísticas, de acordo com ele, estão dentro da expectativa da Polícia Rodoviária Federal.O problema é que na guerra contra a polícia, os bandidos têm levado a melhor. Dos 12 casos registrados, em apenas um a gangue foi descoberta e uma pessoa presa – a do esconderijo de Jacaraú.

O inspetor explicou que o trabalho de prevenção, investigação e combate a este tipo de ação é feito em conjunto pelas Polícias Rodoviária Federal, Militar, Civil e Federal. Apesar disso, o crime organizado está cada vez mais profissional, dificultando o trabalho. “É um luta constante da polícia com os marginais. A gente fecha uma porta e eles abrem outra. De forma prática, é assim que acontece”, declarou. Ele ressaltou que quando as polícias elaboram uma estratégia com base na forma de atuação dos grupos, eles imediatamente desenvolvem novas maneiras de ação.

Além da BR-101 Norte, no ano passado também foram registrados casos, com mais freqüência, na BR-101 Sul, no trecho que liga a Paraíba a Pernambuco; na BR-230, na região de Patos; e na rodovia estadual que liga Patos a Catolé do Rocha. O perigo em alguns destes locais aumentou ainda mais por conta das chuvas que caíram no início do ano em todo o Nordeste e destruíram as estradas paraibanas. Destas, mais afetada foi a BR-230.

A 5ª Superintendência da Polícia Civil, sediada em Patos e responsável por 29 municípios no alto sertão paraibano, disse que, mesmo com os buracos, não foram registrados casos este ano. O último aconteceu em meados do segundo semestre do ano passado, quando um caminhão carregado de combustível foi tomado por assalto. Apesar de não terem ocorrências, os policias recomendam prudência aos motoristas que trafegam na região.

Assaltantes “profissionais”

Os marginais realizam um trabalho cada vez mais “profissional”. Antes de assaltar uma carga, eles pensam em todos os detalhes minuciosamente, fazendo um verdadeiro investimento. Em alguns casos, chegam a infiltrar integrantes nas empresas para as quais os caminhoneiros trabalham. Desta for-ma, ficam sabendo de toda a rotina do motorista.

Nas estradas, fazem uso de todas as tecnologias possíveis para o sucesso do “empreendimento”. O aparelho celular tem sido um dos maiores aliados. Eles espalham integrantes das gangues em locais estratégicos e uma pessoa fica coordenando a operação. Tudo por meio de telefone. A fuga também é pensada em suas mais diversas possibilidades. As chances de falha são reduzidas ao mínimo.

Segundo informações da Polícia, o “modus operandi” das gangues é basicamente o mesmo. Geralmente, o caminhão é abordado por outros veículos em locais onde, forçadamente, o motorista tem que reduzir a velocidade.

A preferência é por ladeiras ou rodovias esburacadas. Foi na “Ladeira de Pitanga”, nas imediações de Ma-manguape, que aconteceu o primeiro caso deste ano. Após a abordagem, os marginais costumam levar os caminhões para um local ermo, onde repassam a carga para outro carro que já está à espera.

Receio de viajar à noite

Para evitar ocorrências desagradáveis, os motoristas de caminhão adotam diversas medidas de segurança. O caminhoneiro Lin-domar Simão de Oliveira, 30 anos, do município de Patos de Minas, Estado de Minas Gerais, disse que não dirige à noite. “Trabalho apenas das 5 horas até, no máximo, 22 horas”, disse. Por conta disso, ele, que atua nesta profissão há seis anos, não pega frete de cargas expressas, aquelas que têm hora marcada para entrega e que “obrigam” os motoristas a rodarem dia e noite, sem parar.

Lindomar ressaltou que em comparação com outros estados, a Paraíba é tranqüila, mas aconselha os companheiros de profissão a aumentarem a atenção nas BRs 101 e 116 e, se possível, a evitarem dirigir sozinhos. Quando vai passar por rodovias perigosas, a exemplo de algumas que cortam a Bahia, ele disse que procura levar alguém consigo.

Caronas estão fora de cogitação. O caminhoneiro Nilton Bressand, 43 anos, de Criciúma, Santa Catarina, contou que em alguns estados as mulheres são usadas como “isca” de assaltantes. “Elas pedem carona e quando os motoristas param, aparece o restante da gangue”, relatou ele que trabalha como caminhoneiro há 12 anos. De acordo com Nilton Bressand, histórias como esta são contadas por colegas de profissão.

Ele alerta os colegas a ficarem atentos a qualquer atitude suspeita na estrada, como carros que estiverem seguindo o caminhão. Parar, ele diz que somente em última situação. “Se o carro apresentar um defeito, mas ainda der para rodar, faça isso até chegar a uma cidade ou a um local movimentado”, recomendou. Os dois caminhoneiros se encontravam em João Pessoa na última terça-feira, ponto final da rota de entrega de suas cargas.

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