Criminosos substituem grandes desmanches por pequenas oficinas na região metropolitana. O número de veículos roubados em Curitiba aumentou 22% nos primeiros cinco meses deste ano em relação ao mesmo período de 2002. Para a Polícia Civil, a elevação se deve ao aumento da frota. O número de veículos em circulação, no entanto, cresceu, proporcionalmente ao de delitos, muito menos: 4,7%. Mesmo com a alta neste semestre, o delegado-titular da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), Hamilton Cordeiro da Paz, afirma que os roubos devem ser reduzidos até o fim do ano. Segundo ele, há tendência de queda quando é feita a comparação com o fim do ano passado. “A situação é preocupante, mas não alarmante, principalmente se compararmos com outras capitais”, afirma. “Esperamos que a tendência de queda se mantenha até o fim do ano.”

A polícia também vem percebendo uma mudança no modo de atuação dos bandidos, que estão usando novos “pontos de trabalho” para desmanchar os veículos roubados. Com o fim de grandes desmanches nos últimos anos, as quadrilhas estão procurando pequenas oficinas para desmontar os carros. Outra estratégia dos bandidos é alugar casas em bairros da periferia, para usar como oficinas provisórias de desmanches. “Há também uma migração para municípios da região metropolitana, onde chácaras são usadas para guardar os carros roubados”, diz Paz.

O delegado acredita que o combate aos desmanches é uma das principais formas de conter o crescimento do roubo de automóveis. “É muito difícil você combater o ladrão porque ele não leva mais de um minuto para furtar um carro.” O delegado afirma que 30 desmanches foram debelados pela DFRV neste ano, em Curitiba e região.

Isso contribuiu para aumentar o índice de recuperação de veículos roubados. Enquanto no começo do ano passado foram localizados 1.795 carros, este ano o número chegou a 2.002, elevação de 11,5% – a metade, no entanto, do crescimento dos roubos.

Números

Pelas estatísticas da delegacia, de janeiro a maio de 2002 foram registrados 3.172 furtos e roubos de automóveis em Curitiba. No mesmo período deste ano, o número subiu para 3.879. Os carros mais visados pelos bandidos são aqueles estacionados nas ruas. Eles representam 73% do total de ocorrências. O restante corresponde a assaltos à mão armada.

Paz explica que os bandidos roubam tanto carros novos quanto antigos. Os novos costumam ser adulterados, com modificações em seus sinais identificadores, como número de chassi e placas. Depois disso, muitos são revendidos. Os automóveis mais antigos, principalmente os modelos que estão fora de linha, são roubados para que suas peças sejam retiradas.

Seguros

As seguradoras confirmam a tendência de queda no furto dos veículos na capital em relação ao fim do ano passado, apontada pelo delegado Paz. Segundo o vice-presidente do Sindicato das Empresas de Seguros do Paraná, Paulo Jocelyto Moll, isso pode fazer os preços caírem na cidade. “O mercado tem percebido uma tendência de diminuição (nos roubos) nos últimos meses”, afirma. “Se continuar assim, o valor do seguro pode até baixar, dentro de dois a quatro meses.” Cerca de 30% da frota circulante possui seguro.

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