O Modercarga, programa de financiamento à compra de caminhões a juros fixos e reduzidos, vai começar a operar na semana que vem, segundo previsão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Até o fim do mês, o banco deverá anunciar outro programa, nos mesmos moldes, para financiar a aquisição de máquinas e equipamentos industriais em geral, o Modermáquina.

“Estamos fazendo esforços setoriais para acelerar a retomada de investimentos. Não podemos, no BNDES, resolver o problema do ponto de vista macroeconômico, mas podemos contribuir no conjunto, com medidas setoriais”, afirma o diretor da Área de Planejamento do banco, Maurício Borges Lemos.

Segundo ele, o Modercarga, lançado oficialmente em dezembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já deveria ter saído do papel, mas enfrentou atrasos por problemas burocráticos. Ao contrário do Moderfrota, programa criado ainda no governo Fernando Henrique Cardoso e que impulsionou o setor de máquinas agrícolas, o Modercarga não será financiado pelo Tesouro Nacional. Os recursos virão do orçamento do banco – basicamente dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) – para garantir empréstimos a juros fixos entre 15% e 17% ao ano para compra de caminhões, com prazo de pagamento variando entre três e cinco anos.

Por causa do risco assumido com o projeto, o BNDES fixou um desconto antecipado de 4% sobre o total a ser financiado. Em última instância, este desconto funcionará como uma remuneração do banco, que entrará em um fundo específico para o programa. “É uma forma de o banco se resguardar”, explica Lemos.

O diretor informou que todos os procedimentos para colocar em prática o Modercarga já foram concluídos. Mas uma resolução publicada há alguns dias pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) não incluiu o desconto antecipado e teve de ser reformulada. A republicação deve ocorrer ainda nesta semana ou no início da próxima.

Modermáquina – Atendendo a um pedido do setor industrial, o BNDES vai estender os benefícios do Moderfrota e Modercarga a todo o setor de produção de bens de capital com o Modermáquina, cujo desenho será concluído neste mês. “Será também um programa com taxa fixa, basicamente no mesmo desenho e com percentuais semelhantes. A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pode subir ou cair, mas o financiamento seguirá até o fim com a mesma taxa”, adianta Lemos.

A TJLP, que é utilizada pelo BNDES e está bem abaixo do parâmetro de juros de mercado, está em 10% ao ano. Em seus financiamentos, o banco usa a TJLP acrescida de um percentual de remuneração que varia de acordo com o projeto. Os projetos de cunho mais social podem ficar com 1%, mas normalmente a taxa total acumulada à TJLP varia entre 3,5% e 5%. Além disso, a cotação da TJLP é revista a cada trimestre, o que pode elevar ou baixar o total a ser pago.

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