Uma semana após a operação desastrosa da PM na MG-10, em Vespasiano, na Grande BH, o cabo José Luiz da Silva, de 40 anos, confessou ter atirado duas vezes no superintendente da Cemig, o engenheiro Tarcísio Celso de Castro, de 50.

Ele foi obrigado a abandonar seu veículo e seguir para um matagal, junto com outras pessoas que também foram paradas no bloqueio da PM. Os policiais estavam à procura de três assaltantes. O cerco da PM, realizado na quarta-feira de Cinzas (25/02), terminou com a morte da representante comercial Ana Paula Nápoles, de 27.

O cabo José Luiz confessou ter atirado no engenheiro porque o confundiu com um suspeito de assalto que o militar perseguia. Ele também afirmou que não tinha o menor conhecimento de que colegas de farda haviam feito um bloqueio na rodovia. O cabo foi ouvido na manhã desta quarta-feira, no inquérito policial-militar (IPM) aberto para apurar o caso.

O advogado do militar, Guilherme Colem, acompanhou todo o depoimento e revela que o cabo José Luiz alegou que estava perseguindo os três suspeitos desde Pedro Leopoldo, na Grande BH, depois deles tentarem roubar um carro no município. O militar afirma que os três suspeitos estavam armados e teriam atirado nos policiais.

Segundo a PM, o cabo vai aguardar o processo em liberdade porque não representa risco para a sociedade. Os outros 12 policiais envolvidos na operação foram afastados por determinação do Comando Geral da PM.

Audiência Pública

Nesta quinta-feira, a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas vai realizar uma audiência pública sobre a operação da PM na MG-10. A audiência, requerida pelo presidente da Comissão, deputado Durval Ângelo (PT), será às 9h no auditório da Casa.

“Queremos identificar se houve irregularidade e quais foram os erros na operação, porque é claro que eles ocorreram, já que duas pessoas inocentes foram atingidas. Também é nossa intenção levantar responsabilidades, de acordo com a participação de cada um”, explicou o deputado.

Foram convidados os parentes da repesentante comercial e do engenheiro da Cemig, o oficial que preside o inquérito, Major Gezemiel, o Comandante da PM em Vespasiano, Major Reginaldo, a Associação dos Praças da Polícia Militar e o ouvidor de polícia, José Francisco Sales Barbosa.

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