Na manhã de ontem um caminhão-tanque carregado com acetona tombou e pegou fogo na pista leste (interior-capital) da rodovia Castello Branco. A interdição parcial da pista por mais de três horas gerou lentidão e congestionamento.

O motorista Ricardo dos Santos, de 28 anos, atingiu a traseira de uma carreta carregada com açúcar na altura do km 85. Seu veículo ficou fora de controle e tombou ao passar por uma canaleta de águas pluviais que fica no acostamento. Segundo testemunhas o incêndio começou quando o tanque de metal raspou no asfalto.

Mesmo com uma das pernas quebrada, o motorista conseguiu sair do veículo antes que as chamas atingissem a cabina. Ele foi socorrido sem ferimentos graves ao Hospital Sanatorinhos em Itu sem informar a causa da colisão.

Lentidão
Segundo a ViaOeste – concessionária responsável pelo eixo Castello Branco-Raposo Tavares – o congestionamento causado pelo acidente chegou a atingir dois quilômetros. Um dos acostamentos teve de ser liberado para tráfego até a remoção do caminhão.

Trabalho sincronizado
Por envolver vazamento de substância combustível, o trabalho de remoção do veículo exigiu o trabalho de mais de 20 profissionais, entre bombeiros, guardas municipais e funcionários da concessionária.

Os bombeiros temiam que a carga de acetona espalhada na pista e no canteiro central da rodovia pudesse voltar a pegar fogo sob o calor do clima ou em razão de faíscas geradas por veículos.

Enquanto os bombeiros molhavam o caminhão e a pista com espuma, funcionários da ViaOeste jogavam areia e colocavam plásticos sobre o gramado onde a acetona foi derramada.

Segundo os bombeiros, o clima quente somado a abertura no tanque causada pelo atrito com o solo contribuíam para uma situação de explosão. O caminhão só foi removido quatro horas e 20 minutos após o acidente.

Rotina de irregularidades
Em junho a ViaOeste e o Ipem (Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo) realizaram na rodovia Castello Branco operação de fiscalização de veículos de transporte de cargas perigosas. Quase 60% dos veículos foram multados por irregularidades.

Dos 26 caminhões fiscalizados, 15 foram multados e 10 tiveram o certificado de transporte de cargas perigosas cassado e não puderam prosseguir viagem. Na mesma operação, um único veículo apresentou mais de 60 irregularidades.

De acordo com o Ipem, mais de 90% das irregularidades têm relação com a falta de manutenção preventiva de responsabilidade dos condutores dos veículos.

O Ipem informa que em São Paulo circulam cerca de seis mil caminhões transportando ácidos, inflamáveis, radioativos ou explosivos.