Oito caminhões com cerca de 280 toneladas de soja transgênica originária do Paraguai foram barrados quando levavam o produto para embarque no porto de Paranaguá. A carga estava acompanhada de notas fiscais emitidas no município de Guaíra e também de laudo laboratorial que atestava a ausência de material geneticamente modificada.

Exames realizados pela Claspar, empresa de classificação de produtos vinculada à Secretaria da Agricultura do Paraná, porém, apresentaram resultados positivos para transgenia. De acordo com o chefe do escritório da Claspar no porto, César Simão, os motoristas dos caminhões prestaram depoimento ontem na polícia civil e hoje a Secretaria da Agricultura decidirá o destino do carregamento. O porto de Paranaguá está fechado para o embarque de produtos transgênicos por determinação do governador Roberto Requião, que pretende transformá-lo em uma referência para os países que buscam soja convencional no mercado internacional.

No último mês de janeiro e nos primeiros dias de fevereiro, aproximadamente 6 mil toneladas de soja transgênica já haviam sido barradas no porto paranaense. A partir de então, a Claspar passou a exigir exames laboratoriais feitos na origem das cargas mas manteve os testes por amostragem em Paranaguá. Até a semana passada o farelo de soja não era submetido ao mesmo tipo de análise, mas agora o produto também está sendo controlado, afirmou Simão.

Ontem a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) divulgou estudo em que aponta a burocracia e a “insegurança” dos exportadores, provocada pela polêmica em torno dos transgênicos, como fatores que contribuíram para o aumento do prêmio negativo da soja exportada por Paranaguá dos US$ 0,10 por bushel normais nesta época do ano para US$ 1,10, ou US$ 40,41 por tonelada. O prêmio, positivo ou negativo, acrescido ou reduzido em relação à cotação da Bolsa de Chicago, determina o preço do produto embarcado no porto, explica Gilda Bozza, uma das autoras do trabalho.

Segundo ela, o valor também é influenciado pelo custo dos fretes internacionais, que sobem nesta época do ano, e pelo aumento do período em que os navios esperam para atracar em Paranaguá, que triplicaram para 30 dias em média nas últimas semanas. Com o prêmio negativo em US$ 1,1, Gilda calcula um deságio de R$ 7 por saco de 60 quilos para o produtor paranaense, o que representaria uma perda de cerca de R$ 1,3 bilhão na hipótese de toda a safra do Estado ser exportada por Paranaguá. O superintendente do porto, Eduardo Requião, não estava disponível para comentar o estudo, ontem.

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