Na próxima quarta-feira representantes do setor de transporte de cargas rodoviário de todo o País se reúnem em Brasília (DF) onde decidem se deflagram ou não greve a partir do dia 25 de junho (quarta-feira da semana que vem).

O setor quer repassar o recente aumento no diesel, de 15%, no preço do frete e reclama de falta de incentivos do governo.

O porta-voz do Sindcargas/MS, Roberto Sinai, afirma que após a reunião será dado um ultimato ao governo, com emissão de uma carta. Se não houver resposta, a greve deve ser deflagrada sem previsão de término.

Sinai afirma que hoje o autônomo está estrangulado pelos custos elevados e baixa remuneração. Ele lembra que no Estado o preço do diesel varia de R$ 2,12 a R$ 2,30,o litro, já próximo do valor da gasolina, mas que se torna mais caro diante do rendimento baixo dos veículos pesados.

“Enquanto um carro roda até 15 quilômetros com um litro de gasolina o caminhão roda 1,5 a 1,6 quilômetro”, diz. O diesel, segundo ele, representa 60% do custo de transporte. Para Sinai, o governo não reconhece a importância do setor, responsável pelo escoamento de 68% da produção nacional.

Ele ressalta que a questão é inerente à toda a sociedade, porque desde alimentos até materiais de trabalho só chegam aos centros consumidores por conta do transporte rodoviário.

Além do frete baixo – a defasagem calculada é de 50% – e alta do diesel o setor também destaca as más condições das rodovias, que provocam avarias nos veículos. Sinai afirma que a descapitalização impede renovação da frota, que traria mais economia e também mais segurança ao trânsito das rodovias. Sinai questiona a aplicação de recursos da Cide, imposto criado justamente com a finalidade de melhorar a malha.

A frota de caminhões de Mato Grosso do Sul é de 65 mil veículos, dos quais 30 mil pertencem a autônomos. O setor envolve 100 mil trabalhadores. No País são um milhão de veículos com autônomos.