Caminhoneiros paraguaios começaram a paralisar na madrugada de segunda-feira o transporte de grãos no país em protesto contra a cobrança de uma taxa alfandegária de 25% para transportar mercadorias no Brasil e pelo baixo preço do frete praticado no Paraguai.

Segunda-feira, cerca de 80 caminhões estavam parados no quilômetro 30 da fronteira de Ciudad del Este e Foz do Iguaçu, na Ruta Internacional, rodovia de acesso a Assunção. Motoristas brasileiros ameaçam aderir ao movimento a partir de hoje fechando a entrada da Estação Aduaneira e Interior (Eadi Sul), em Foz do Iguaçu. Eles não querem pagar um tributo semelhante de R$ 187,00 que passou a ser exigido pelo governo paraguaio.

Segundo o presidente da Associação de Caminhoneiros de Alto Paraná (ACAP-Paraguai), Ricardo Bauman, a taxa de 25% exigida pela Receita Federal (RF) está inviabilizando o trabalho dos motoristas paraguaios. Os caminhoneiros estão fazendo um movimento semelhante nas fronteiras de Guaíra e Santa Helena.

A RF cobra o tributo de transportadoras brasileiras que contratam motoristas paraguaios. O porcentual de 25% incide sobre o valor do frete dos caminhões e tem que ser pago pelos motoristas. Segundo a RF, existe um decreto regulamentando a cobrança com base na legislação de 1968.

O presidente da Associação de Motoristas de Cascavel e Região (Sindivel), Jeová Pereira, diz que a cobrança da taxa provoca perdas de R$ 450,00 por viagem aos motoristas paraguaios que fazem o transporte de mercadorias do Paraguai até o Porto de Paranaguá. Segundo Pereira, o imposto da RF levou o governo paraguaio a cobrar R$ 187,00 dos motoristas brasileiros que carregam no país. “Não estamos escoando nada”, diz.

O diretor da Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (Abti), Saulo Lamb, teme uma quebradeira entre as 45 transportadoras de Foz do Iguaçu caso a taxa de 25% continue sendo cobrada. Segundo ele, transportadoras paraguaias, que não são obrigadas a pagar o imposto, já estão se cadastrando junto à RF para contratar motoristas e prestar o serviço de transporte internacional de cargas. “Há empresas paraguaias que não trabalham há muito tempo e estão voltando”, diz.

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