Chega a quase 50 mil o número de carros que foram chamados para recall somente este ano. Várias montadoras já convocaram os proprietários para substituir algum tipo de peça do veículo. Sérgio Gianella, diretor de Fiscalização do Procon-SP, afirma que o número de recalls tem despertado atenção do órgão. Segundo o Código de Defesa do Consumidor, artigo 10, o fabricante é obrigado a comunicar o cliente e efetuar o conserto de produtos que possam trazer risco à segurança ou à saúde.

– A incidência assusta. Todos são graves. São problemas que podem afetar a segurança do consumidor – afirma Gianella, lembrando que no Brasil dificilmente se faz recall de falha de qualidade. Ele ressalta que um dos raros exemplos foi o de uma fabricante de biquínis que fez recall porque as peças perdiam a cor.

Segundo Gianella, nem sempre os consumidores respondem ao chamado das empresas. Em média, apenas 80% dos proprietários levam o carro para o reparo, porque não quer ficar sem ele ou perder tempo na oficina. O diretor do Procon alerta que isso é um erro, pois quem não faz o recall coloca em risco sua própria vida e a de outras pessoas.

– A lei não obriga o consumidor a fazer o conserto, mas poderia. Uma saída seria ter de apresentar o comprovante de que o serviço foi feito no ato do licenciamento do veículo – diz ele.

Por enquanto, o maior recall é o da General Motors. A GM chamou 36.520 donos de veículos Celta, 2003 e 2004, para verificar a montagem dos cintos de segurança. Na Volkswagen, foram 10.436 Fox, também 2003 e 2004. Segundo a montadora alemã, algumas unidades poderiam apresentar deficiência no travamento do capô dianteiro no momento do fechamento, possibilitando a abertura do mesmo com o veículo em movimento. A convocação ocorreu no dia 29 de março.

A Ford já convocou os proprietários do Novo Fiesta e do Ecosport duas vezes este ano para recall. Da primeira vez, em pleno carnaval, a montadora convocou 228 unidades. No dia 31 de março, apenas 40 dias depois, o número aumentou: foram mais 901 veículos dos mesmos modelos. Os carros foram montados entre os dias 8 a 18 de março na fábrica de Camaçari, na Bahia. Primeiro, a montadora chamou os proprietários para a substituição dos parafusos de fixação da pinça de freio. Depois, foi a vez de inspecionar o fluido de freio. De acordo com a Ford, a contaminação acidental do fluido de freio poderia afetar a durabilidade de alguns componentes de borracha do sistema de freio, causando a diminuição da eficiência de frenagem do veículo.

Também chamaram os proprietários para recall a Daimler Chrysler do Brasil (49 unidades do Jeep Cherokee Sport, fabricado nos Estados Unidos), a Hyundai (157 unidades do Elantra), e a Volvo (37 veículos modelos S80, S60 e V70, importados da Suécia e da Bélgica). Nesse último caso, a montadora sueca convocou 105 mil veículos para recall em todo o mundo. A Citroën do Brasil também chamou 79 proprietários de veículos C3 para recall, mas nesse caso o problema estava em um equipamento importado, a barra transversal de teto, que poderia se desprender e provocar acidentes no transporte de cargas. Se fosse considerar que todos os carros chamados para recall fossem produzidos no Brasil, as quase 50 mil unidades representariam praticamente um terço da produção mensal local. Em janeiro, a indústria brasileira fabricou 157.400 unidades e em fevereiro outras 154.600.

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