A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) foi informada há mais de cinco meses de que caminhões subiam a rua Dr. Francisco Tomás de Carvalho, no Morumbi (zona oeste de São Paulo) –onde o tráfego de veículos pesados é proibido–, e que acidentes haviam ocorrido no local por conta disso. Na semana passada, um acidente com uma carreta matou quatro pessoas na rua.

Quem alertou a CET, em setembro, foi o arquiteto naval Roberto Holzhacker, 44, dono de um terreno na esquina das ruas Dr. Francisco Tomás de Carvalho e Pasquale Guallupi. Como, segundo ele, não foi tomada providência, enviou novo aviso à companhia, em novembro. Dizia: “Um dia algo trágico acontecerá”.

O trânsito de veículos pesados na Tomás de Carvalho é proibido porque a via é uma subida acentuada –ela tem 14 de inclinação.

Por volta das 9h do último dia 3, uma carreta que levava uma escavadeira de 16 toneladas deslizou na rua, causando a queda da máquina sobre o táxi de Luiz Antônio de Moraes, 60. Ele e as passageiras Selma Portilho Picon, 68, Patrícia do Carmo Picon, 32, e Ezenete Oliveira, 56, morreram.

Holzhacker enviou um e-mail à central de atendimento da CET em 23 de setembro. Nele, cobrava melhorias na fiscalização no local, informando que, só nos últimos dois anos, o muro que cerca o terreno dele havia sido quebrado quatro vezes por caminhões que não conseguiram subir a rua.

A resposta da CET, dizendo que o pedido já havia sido analisado, chegou quase dois meses depois.

Depois do acidente, a fiscalização na rua foi reforçada.

A empresa proprietária da escavadeira, a Rodopiro Transportes Pesados Ltda., deve se reunir amanhã com familiares das vítimas para discutir indenizações. Um inquérito apura o acidente.

Procurada desde sexta para falar sobre o caso, a CET, por meio de sua assessoria, confirmou ontem que recebeu a mensagem de Holzhacker a respeito do perigo de acidentes. A reportagem telefonou mais de dez vezes para a CET, mas ela não forneceu detalhes a respeito do desfecho do processo aberto para atender à reclamação do arquiteto, anunciado em 13 de novembro. Segundo a assessoria, as perguntas foram enviadas ao setor técnico da CET, que não se manifestou até ontem.

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