Uma das irregularidades envolve o desvio de dinheiro público durante a reforma da construção

Denúncias de corrupção envolvendo o posto do município de Iporã do Oeste, na SC-386, no Extremo-oeste do Estado, começam a ser investigadas pelo comando da Polícia Rodoviária Estadual de Santa Catarina esta semana. A sindicância será presidida pelo capitão Luciano Jansen, que deverá estar em Iporã do Oeste nos próximos dias para colher depoimentos. Uma das denúncias que envolve desvio de dinheiro público diz respeito ao pagamento de valores superiores a R$ 4,3 mil a duas empresas de construção civil de São Miguel do Oeste e Iporã do Oeste. Os pagamentos estão relacionados a mão-de-obra para reforma do prédio do posto de Iporã do Oeste, mas todo o serviço foi, na verdade, executado por dois cabos e um soldado, em regime de mutirão, segundo atestam policiais.

A Rádio Peperi de São Miguel do Oeste gravou uma extensa conversa telefônica entre o repórter Marcos Meller e um dos policiais rodoviários de Iporã do Oeste, onde ele conta com detalhes todo o serviço prestado pelos cabos Mallmann e Adilson e pelo soldado Webber, incumbidos da tarefa de reformar o posto, em 2001. Ele conta que foram oito meses de trabalho em regime de mutirão sem a contratação de mão-de-obra e informa que os demais policiais ajudavam nas horas de folga como serventes de pedreiro. Foram construídos um alojamento, salas de aula e garagem em concreto, além da pintura do prédio.

Entretanto, o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) tem cinco contratos de fornecedores para execução de mão-de-obra para o posto de Iporã do Oeste. Quatro destes contratos são da empresa Bem-Te-Vi Materiais de Construção, de Iporã do Oeste. Ela teria executado a pintura externa do prédio, no valor de R$ 500,00; serviços de concretagem, no valor de R$ 1.040,00; outro serviços de concretagem de piso e laje, no valor de R$ 837,00; e outro de pintura interna do prédio, no valor de R$ 600,00. Já a empresa Macodesc Materiais de Construção, de São Miguel do Oeste, teria executado serviço de reforma da garagem e almoxarifado, com colocação de piso de cerâmica, no valor de R$ 1,4 mil. Os contratos estão acompanhados da requisição dos serviços. O valor total soma R$ 4.377,50. Os materiais para as obras também foram adquiridos nestas empresas.

Outra denúncia, também já nas mãos do comando da corporação, envolve a liberação de uma moto roubada, que havia sido apreendida na SC-386. A motocicleta, marca Yamaha, placa EZ 801, de Chapecó, foi apreendida no dia 2 de abril de 2001, no posto, e ficou constatado que se tratava de objeto de furto. Surpreendentemente, no dia 13 de maio daquele ano, o veículo foi liberado. O capitão José Schlichting, sub-comandante da Polícia Rodoviária Estadual, determinou a anulação do ato de liberação e mandou recolher novamente a motocicleta ao pátio do grupamento.

Comando soube das irregularidades por meio de denúncia anônima e documentos

Já foi instaurada uma sindicância para apurar a denúncia de desvio de dinheiro público na reforma do posto da Polícia Rodoviária Estadual de Iporã do Oeste, segundo informa o tenente José Truppel, relações públicas da corporação. De acordo com ele, o comando determinou a abertura da sindicância, que será presidida pelo capitão Jansen. Truppel salienta que a denúncia formulada em janeiro ao comando da Polícia Rodoviária Estadual foi anônima, embora escorada em documentos. Ele acrescenta que o interesse do comando é esclarecer todos os fatos denunciados.

A Denúncia de desvio de dinheiro público na reforma do posto da Polícia Rodoviária Estadual foi feita ao comando ainda em janeiro deste ano. Os documentos foram enviados ao posto de Ibicaré, no Meio-oeste do Estado, que tem jurisdição sobre Iporã do Oeste. Segundo o tenente Márcio José Antunes, comandante em Ibicaré, a denúncia, acompanhada de cópias de notas fiscais, foi encaminhada durante o período em que estava em férias e foi recebida pelo comandante interino, tenente José Truppel.

O comandante da unidade de Iporã do Oeste, sub-tenente Osmar Perin, foi procurado sexta-feira para falar sobre as denúncias e disse que não vai se manifestar, uma vez que uma sindicância está sendo instaurada para apuração de todos os fatos.

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