Obra começou em outubro e a execução deve ser feita em meio à temporada de alta estação. Comerciantes pedem adiamento, alegando prejuízos, mas o Governo do Estado nega por conta da necessidade de fazer o reparo

O principal acesso entre Fortaleza e o Icaraí, em Caucaia, está parcialmente interditado. As rodovias CE-085 e CE-090 passam por intervenções e o tráfego de carros e ônibus encontra-se prejudicado. As obras prevêem a restauração do asfalto e, atualmente, os motoristas têm de fazer desvios para chegar a uma parte do Litoral Oeste, como as praias da Tabuba, Cumbuco, Paracuru e Pecém. O trabalho começou em outubro, com prazo de 210 dias. Resultado: sobram reclamações por parte de comerciantes e empresários do Icaraí contra os prejuízos na temporada de alta estação.

O acesso ao Icaraí, normalmente, começa pela BR-222. O motorista, já em Caucaia, deve dobrar à direita na CE-085 e seguir na CE-090 a partir do entroncamento das duas rodovias. O trecho, porém, está em obras. O condutor que parte de Fortaleza encontra, à altura da curva na BR-222, a sinalização da interdição. A alternativa é seguir em frente na estrada federal e, por uma rota cruzando a zona urbana de Caucaia, ter acesso ao Icaraí. Ou utilizar a ponte sobre o rio Ceará, na avenida Leste-Oeste, como um atalho para o trecho da CE-090 onde o tráfego está liberado, uma vez que a interdição é parcial.

Os comerciantes do Icaraí, no entanto, apontam problemas. Há um pedágio, ao valor de R$ 2, na ponte. Já a outra alternativa, conhecida como Estrada Velha, exige um maior conhecimento da região. “Eu conheço porque moro no Icaraí. Mas será que o turista conhece? E não tem a mínima sinalização”, avalia o presidente da Associação dos Empresários da Praia do Icaraí (Aepi), Barbosa Pinheiro. As obras, hoje, também estão no trecho urbano da CE-090, cruzando o Icaraí. Além da interdição parcial da estrada para o melhoramento do pavimentação, há a escavação da via ao redor das calçadas para as obras de reforço no sistema de drenagem pluvial.

A crítica da Aepi é que as obras deveriam ter sido iniciadas após a alta estação. Segundo a categoria, o fluxo de turistas vem caindo. A comerciante Graça Clark, 43, fez a inauguração, no último sábado, de seu restaurante, mas cancelou a seresta programada por causa das obras. “Como a pessoa ia chegar aqui?”, indigna-se.

“A gente quer o progresso. Mas na época certa. Essa obra deveria ser depois desta temporada (alta estação). O prejuízo é grande”, confirma o seresteiro Vitor Portela, 62. A sugestão da Aepi é a paralisação da intervenção até o fim do Carnaval. A associação calculava que, em circunstâncias normais, 180 mil pessoas visitariam o Icaraí na festa do Réveillon. “Quem é que vem agora? Antes de chegar aqui, a pessoa já está aborrecida”, lamenta o presidente da entidade.