Motoristas de transportes alternativos do município de Mamanguape interditaram, ontem, por quase duas horas, um trecho do quilômetro 47 da BR-101, na altura da ponte que passa sobre o rio Mamanguape, entrada do município. Eles colocaram pedras e pedaços de paus, queimaram pneus e chegaram a se deitar na pista para interromper o tráfego, causando um congestionamento de quase de 10 quilômetros nos dois sentidos. Os condutores protestavam contra a grande quantidade de multas que vinha sendo aplicada pela Polícia Rodoviária Federal, uma vez que, de acordo com o sindicato da categoria, o Governo do Estado deu autonomia para que os alternativos possam trafegar em todas as rodovias paraibanas até que o projeto que regulamenta a atividade seja aprovado. Segundo alguns motoristas, quase 50 multas foram aplicadas somente na manhã de ontem.

Apenas ambulâncias podiam passar

O protesto começou por volta das 10h00 quando os motoristas colocaram os pneus, pedras e paus. Em poucos minutos o engarrafamento já se estendia por quase cinco quilômetros, tanto de um lado como de outro da pista. Os motoristas só estavam permitindo a passagem de ambulâncias e carros que levavam pessoas doentes ou medicamentos. Até mesmo um carro-forte que vinha em direção à Capital ficou aguardando o fim do protesto.

Por volta das 11h45, o Corpo de Bombeiros chegou ao local e apagou o fogo dos pneus, fazendo também o trabalho de limpeza do local e o tráfego foi liberado logo em seguida. A categoria só aceitou pacificamente a liberação da BR-101 quando policiais rodoviários e militares se comprometeram em avaliar as denúncias feitas pelos alternativos.

Motoristas denunciam pressão

O presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos de Transportes Públicos Alternativos do Estado da Paraíba, Francisco das Chagas, disse não entender a atitude dos policiais rodoviários do posto de Mamanguape. De acordo com os motoristas, entretanto, a atitude se justifica em virtude da pressão que dirigentes de uma empresa de transporte de passageiros estariam fazendo com os policiais rodoviários para que as penalidades sejam impostas, enfraquecendo a categoria e deixando todos os passageiros para a empresa de ônibus.

O condutor Waldênio Monteiro, que trabalha há 1 ano e meio levando passageiros de Mamanguape para João Pessoa, recebeu três multas somente na última segunda-feira. Segundo ele, ao fazer a abordagem o policial rodoviário não conseguiu achar nada irregular no carro e declarou que ele iria ser multado pelo fato dele estar fazendo transporte alternativo. Além disso, segundo o motorista, os passageiros são intimidados no momento da abordagem, sendo até obrigados a mostrar os seus documentos de identidade. “Estamos apenas fazendo o nosso trabalho e não temos o menor motivo para ter que passar por esse tipo de situação”, declarou.

PRF poderá receber queixas

O inspetor Antônio Nicolau de Oliveira afirmou que todas as denúncias feitas pelos motoristas devem ser encaminhadas por escrito à superintendência para que possam ser averiguadas e, dependendo do resultado da investigação, todas as medidas cabíveis serão tomadas.

O presidente do Sindicato, Francisco das Chagas, disse que não é contra a fiscalização nos veículos que fazem transporte alternativo, mas quer que sejam avaliados problemas como a qualidade dos pneus dos carros, validade da documentação do condutor e outros aspectos que, segundo ele, são realmente importantes.

De acordo com Chagas, desde o dia 25 de fevereiro de 2003, quando representantes do Sindicato se reuniram com o governador Cássio Cunha Lima, os motoristas esperam por uma decisão do Governo do Estado no sentido de regularizar a situação dos cerca de 5 mil motoristas de transportes alternativos que trabalham na Paraíba atualmente.

Um grande protesto está sendo marcado para este mês e a intenção é reunir todos os motoristas alternativos do Estado, para cobrar do Governo do Estado a regulamentação da atividade na Paraíba. “Queremos fazer o máximo de pressão que pudermos para que tudo se resolva e possamos trabalhar tranqüilamente e com a dignidade que merecemos”, declarou o presidente.

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