Depois de 40 dias, o Departamento de Edificações Rodovias e Transporte (Dert) deve começar hoje o trabalho de conserto do aterro da ponte sobre o Riacho Mucuim que dá acesso à cidade de Arneiroz, distante 360 km de Fortaleza, localizada na região dos Inhamuns. Desde o dia 27 de janeiro quando ocorreu a enchente do Rio Jaguaribe, que os moradores sofrem o isolamento.

No sábado passado, operários trabalharam com o uso de um compressor na perfuração da parede de pedra e cimento de uma pequena barragem anexa à ponte sobre o Rio Jaguaribe para colocação de dinamites. A idéia é quebrar até 1,20 m de altura numa extensão de 10 metros para permitir o escoamento da água pelo Jaguaribe. A obra foi construída irregularmente, no ano passado, pela Prefeitura e contribuiu para danificar e atrasar a recuperação do aterro da ponte que dá acesso à cidade.

Inicialmente, o Distrito Operacional do Dert de Crateús, previu para o dia 20 de fevereiro a abertura da parede da barragem. O serviço atrasou. Na semana passada tentaram usar uma retro-escavadeira, mas a máquina quebrou. O jeito foi partir para a explosão com o uso de dinamites. O engenheiro do Dert, em Crateús, Mário Édson Correia, preferiu não fazer previsão sobre a conclusão dos trabalhos, mas os operários devem trabalhar por toda esta semana e é provável que o acesso à cidade de Arneiroz deve ser concluído nos próximos 12 dias, caso não forte a chover forte na região.

Os moradores desde o final de janeiro passado enfrentam dificuldades de acesso. O Governo do Estado aproveitou uma outra barragem sobre o riacho Mucuim e usou a parede como passarela para pedestres, ciclistas e motociclistas. Foram colocadas cordas que serve de corrimão e uma rede elétrica improvisada. Mesmo assim a travessia é perigosa. O lodo sobre a parede e o descuido fazem com que muitas pessoas sofram escorregões e caiam.

O pároco de Arneiroz, padre Roberto Alencar, conta que várias pessoas já caíram. “As pessoas escorregam e sofrem pequenos arranhões”, disse. “A situação é ruim para os idosos e crianças”. A parede da barragem funciona com uma passagem molhada. Há também uma pequena balsa que auxilia na travessia. Ela é mais utilizada para transporte de mercadorias. As lojas estão abertas, mas o centro da cidade permanece vazio. Com as estradas danificadas e sem acesso de veículos muitos moradores da área rural deixaram de comprar na cidade.

Os comerciantes reclamam da queda nas vendas. “Aqui os negócios caíram mais de 50%”, disse o comerciante Francisco Andrade. “Os consumidores desapareceram”. Os lojistas não se conformam com o atraso na obra. “Há mais de 15 dias que o Governo já poderia ter feito a abertura dessa barragem”, disse. “Na semana passada começaram a aterrar a margem direita, mas suspenderam o serviço”.

Alguns moradores avaliam que mesmo sem dinamitar a parede da barragem seria possível fazer o aterro com colocação de pedras e piçarra. A margem esquerda do riacho Mucuim, pelo lado da cidade, está seca, e a água que escorre é em pequena quantidade por debaixo da ponte que ficou isolada. No pátio do Hospital Municipal de Arneiroz desde a semana passada que dezenas de veículos (máquinas escavadeiras e caçambas) estão estacionadas para começarem o serviço de colocação de terra para reconstrução do acesso à área urbana.

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