Para ter mais segurança, crianças precisam ser transportadas em cadeiras especiais.

Você está todo animado e quer sair logo com o filho pequeno para passear. Como são apenas alguns quarteirões de distância, o filho vai sentado no colo da mãe no banco da frente e você acelera devagar o carro – não ultrapassando os 50 km/h – acreditando que assim não corre maiores riscos. Infelizmente, é assim que ocorre a maioria dos acidentes envolvendo crianças. Elas só devem ser transportadas no banco de trás e usando o cinto ou cadeirinha de segurança, conforme as normas do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Em todo o Brasil, a maioria dos acidentes – anualmente, cerca de 2,3 mil crianças, de zero a 14 anos, morrem no trânsito, segundo as estatísticas do Ministério da Saúde – ocorre a poucos metros de casa, em velocidade baixa, de até 50 km/h. Geralmente, causam seqüelas irreversíveis nas crianças, entre as quais lesões na cabeça e coluna cervical, por não estarem utilizando um dos vários sistemas de retenção.

De acordo com Luiza Batista, coordenadora regional da Ong Criança Segura (Recife), quem transporta crianças usando o cinto ou sentada em uma cadeirinha de segurança infantil (instalada no banco de trás e de acordo com a idade e peso) consegue aumentar em 71% as chances de sobrevivência dos envolvidos em acidentes automobilísticos. “Sabemos que muitas pessoas esquecem que a criança é um passageiro. Aí, não reservam um lugar no carro para ela e, na maioria das vezes, transportam a criança no colo. Em um acidente, o adulto não consegue protegê-la e termina usando-a como air bag”, aponta Luiza.

Reprovado ? No fim do mês de agosto, a Unicamp – Faculdade de Engenharia – apresentou um estudo que constata que os cintos de segurança infantis produzidos no Brasil não cumprem o papel anunciado: manter firme a criança no assento do veículo em situações de colisão.

O resultado gerou um enorme rebuliço entre os responsáveis por empresas e órgãos de segurança de trânsito. A divulgação de pesquisas como a da Unicamp termina estimulando os motoristas brasileiros a não utilizarem mais os cintos de segurança, acredita Alberto Sabbag, especialista em medicina de tráfego e um dos coordenadores da cartilha Segurança no Transporte: Crianças e Gestantes, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet).

É importante lembrar, no entanto, que o cinto de segurança do carro é eficiente, mas só pode ser usado em crianças a partir de uma determinada idade. Os cintos infantis, vendidos até em supermercados, é que foram reprovados nos testes, por romperem com facilidade e não cumprirem a função de segurança para a qual são destinados.

Na opinião de Sabbag, está comprovado que o uso do cinto do carro e das cadeirinhas infantis aumenta a segurança. Para tanto, existem alguns cuidados que devem ser levados em conta. Primeiro, o equipamento deve ser de acordo com a idade e peso da criança. Depois, é bom ter mais cuidado com a instalação da cadeira infantil. Em caso de colisão, alerta Sabbag, o equipamento mal instalado pode ser catapultado, jogando a criança contra o pára-brisa frontal ou para fora do veículo.

Por isso, aconselha Sabbag, deve-se prender firmemente a cadeira de segurança, não deixando folgas nem para um lado nem para o outro. Se a criança for maior e não se adequar mais à cadeirinha, instale um banquinho – booster – para auxiliar o uso do cinto de segurança, que deve passar pelo ombro e abdômen da criança.

Tipos – No Brasil, existem seis tipos de cadeiras de segurança fabricadas dentro das especificações da norma 14.400/99, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e aprovadas pelo Inmetro. Para Luiza Batista, o uso das cadeirinhas infantis é essencial para diminuir a incidência de mortes de crianças em acidentes. “Criança solta dentro de um carro é um perigo”, alerta.

Segundo ela, sistemas de retenção, a exemplo das cadeiras infantis, salvam muitas vidas. “Mesmo que não haja um ajuste correto, é melhor transportar as crianças em uma cadeira e usando o cinto de segurança”, aconselha. Por enquanto, diz Luiza, as cadeirinhas de segurança ainda não são obrigatórias no Brasil. “O equipamento consegue reter o impacto provocado pela desaceleração em um acidente. Seria importante que a cadeira de segurança fosse obrigatória, a exemplo do cinto”, defende a representante da Ong Criança Segura.

Quem tem criança sabe que as recomendações devem ser redobradas na hora do passeio de carro. Além de colocá-la no banco de trás com o cinto ou na cadeira de segurança, é bom não esquecer de bloquear as travas internas das portas traseiras, manter os vidros sempre levantados e colar um adesivo “Bebê a bordo” no vidro traseiro.

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