Se a crise na economia americana se aprofundar, seus reflexos poderão afetar os investimentos previstos em vários setores, principalmente, naqueles que dependem de dinheiro da iniciativa privada como energia, telecomunicações e rodovias.

No Espírito Santo, obras como a duplicação de toda a BR 101 e de parte da BR 262 poderiam ter o início adiado por mais tempo. Estão na berlinda também as obras da 4ª ponte ou do túnel entre Vitória e Vila Velha, do sistema aquaviário e dos trechos sob concessão da Rodosol.

Todas as licitações que não foram iniciadas estão suspensas até o final do ano, e uma comissão formada por membros do Executivo vai avaliar o impacto desses e de outros investimentos nas finanças do governo.

A crise pode tornar menos atrativos os contratos de licitação para as empresas, mais receosas em investir.

Já os projetos que dependem de recursos públicos, como o do Aeroporto Eurico Salles, em Vitória, só seriam afetados caso o governo federal tenha que promover cortes nos investimentos já previstos. Essa possibilidade, entretanto, ainda não foi admitira pelo governo federal.

A avaliação é do senador Renato Casagrande, membro da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Se o governo norte-americano demorar muito tempo para apresentar uma proposta eficiente para a solução da crise, a tendência é a retração dos investimentos privados. “Diante de um quadro de incertezas, as empresas são as primeiras a desacelerar”.

Em caso de agravamento do já conturbado quadro da economia dos Estados Unidos, a tendência é o setor privado frear os investimentos em projetos nas áreas de energia, telecomunicações e rodovias. No Espírito Santo, o edital de concessão da BR 101 à iniciativa privada, previsto para o final do primeiro semestre do próximo ano, certamente seria adiado.


Em risco
BR 101
A concessão da exploração da rodovia será passada à iniciativa privada, por meio de concorrência pública. O edital para a licitação deverá ser lançado no final do primeiro semestre do próximo ano. Se a crise se aprofundar a iniciativa privada tende a reduzir os investimentos. Nesse caso, o governo poderá adiar o lançamento do edital, adiando o início da obra

BR 262
Está prevista a duplicação de 51 km da BR 261, no trecho entre Viana e Victor Hugo, em Domingos Martins. O custo total da obra é de R$ 240 milhões e apenas uma parcela do dinheiro, R$ 20 milhões, está no Orçamento da União. A obra pode ser adiada por falta de atratividade da licitação, diante de um período de crise internacional.