Trecho mais perigoso das rodovias federais do Paraná concentrou 69 ocorrências, em dois meses. O ponto perigoso fica na BR-376, perto da divisa entre Santa Catarina e o Paraná

A grande quantidade de pára-choques, retrovisores, placas, pára-brisas e de outras peças de carros encontrados às margens do quilômetro 671 da BR-376, entre o litoral catarinense e Curitiba, é apenas um indicativo do perigo que os motoristas enfrentam cada vez que passam pela chamada Curva da Santa. Mas é somente quando são analisadas as estatísticas que se pode ter a real dimensão do problema.

Este ano, em pouco mais de dois meses (até o dia 3 março), 69 acidentes já tinham sido registrados neste ponto, deixando 36 feridos, 10 dos quais graves. Entre os feridos há a possibilidade de algum ter morrido no hospital, já que os números policiais retratam apenas a situação encontrada no local do acidente.

Tomando por comparação, a Represa do Vossoroca, que fica no quilômetro 653 da mesma rodovia e que sempre foi considerada o ponto negro da estrada, percebe-se que atualmente a Curva da Santa representa um perigo maior aos motoristas. Contra os 69 acidentes ocorridos no quilômetro 671 este ano, o Vossoroca registrou 17 ocorrências, com três feridos.

A curva não é somente o ponto mais perigoso da BR-376, mas de todas as rodovias federais patrulhadas pela Polícia Rodoviária Federal no Paraná. Entre 1.º de janeiro e 10 de dezembro de 2003, foram 385 acidentes entre os quilômetros 671 e 675 da BR-376. São cerca de cem acidentes acima dos registrados no segundo trecho crítico das rodovias federais do estado (entre os quilômetros 130 e 135 da BR-476).

As ocorrências na Curva da Santa são diárias. Ontem pela manhã, por exemplo, a reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com a delegacia da PRFl de Curitiba para verificar se algum acidente tinha sido atendido. A resposta foi a esperada: foi feito um atendimento à colisão, que, não por coincidência, no quilômetro 671.

Os acidentes no local muitas vezes são graves porque a curva fica na beira de um precipício, com cerca de 30 metros de altura, que acaba dentro do Rio da Santa. No rio, as marcas das fatalidades são visíveis: há pedaços de carros, vidros e até placas de sinalização e de muretas que foram derrubadas durante os acidentes. O perigo de queda no penhasco aumenta porque há pontos em que a barreira de proteção não existe mais.

Polícia intensifica fiscalização na curva campeã em acidentes

Segundo peritos, trecho precisa de reparos, pois oferece “extremo risco” aos usuários

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) intensificou a fiscalização ontem no quilômetro 671 da BR-376, onde fica a Curva da Santa. Segundo patrulheiros que estavam de plantão, a intenção é usar da presença física para induzir os motoristas que voltam das praias do Paraná e de Santa Catarina a reduzir a velocidade. Na terça-feira de carnaval, trabalho semelhante foi feito no local com o uso de viaturas e motos. O policiamento fez com que naquele dia nenhum acidente fosse registrado no trecho.

As operações esporádicas não impedem, entretanto, que o quilômetro 671 continue sendo o campeão em acidentes nas estradas federais do estado. Somente nos primeiros dois meses deste ano, foram registrados 69 acidentes, sendo que em alguns deles os veículos caíram no penhasco existente ao lado da estrada e os ocupantes ficaram gravemente feridos.

O grande número de acidentes no trecho, segundo laudo feito por peritos contratados pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea-PR), não é causado apenas por imprudência dos motoristas. Ao redigir o laudo, os peritos foram enfáticos: “a BR-376 deverá sofrer, imediatamente, restauração/melhoramentos, haja vista que na forma como se encontra oferece extremo risco aos usuários, com perdas de vidas e de patrimônios”.

O estudo, que incluiu levantamento topográfico, indica que no trecho a superelevação (inclinação da pista que ajuda o motorista a fazer a curva) é inadequada. Além disso, os peritos consideraram precária a manutenção da pista no que se refere à drenagem superficial. Eles apontaram ainda sinalização inadequada.Todos os problemas foram confirmados por um trabalho de estudantes da Empresa Júnior de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que estiveram na Curva da Santa na semana passada a convite da reportagem da Gazeta do Povo.

A vistoria que fundamentou o laudo encomendado pelo Crea foi feita no dia 4 de fevereiro do ano passado. Segundo o engenheiro Luiz César Moro, responsável pelo escritório do Conselho em Curitiba, o estudo completo foi encaminhado à regional do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) do Paraná. Mais de um ano passado, os problemas persistem.

Na mesma época do laudo da Curva da Santa, deficiências semelhantes foram identificadas pelos peritos no quilômetro 653 da BR-376, onde fica a Represa do Vossoroca e estavam sendo registrados muitos acidentes, vários dos quais com quedas de veículos na represa. Naquele local o Dnit realizou uma intervenção, que fez com que o número de acidentes caísse.

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