Adolescente de 14 anos dirigia caminhonete em Palmeira das Missões

Em um lado da rodovia, um adolescente de 14 anos dirigindo uma caminhonete. No outro, um motorista de caminhão com sinais de embriaguez. O encontro entre os dois veículos matou três pessoas da mesma família, na noite de domingo, em Palmeira das Missões, no norte do Estado. As vítimas estavam na caminhonete Ford F-250 ano 2003, conduzida por Guilherme Bandeira, 14 anos, de acordo a Polícia Civil e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Além do adolescente, morreram a mãe dele, Fátima de Lourdes Bandeira, 49 anos, e a irmã, Daniele Bandeira, 24 anos. No veículo, também viajava Dieison Santos, 21 anos, namorado de Daniele, que fraturou o braço. A colisão com o caminhão Mercedes-Benz ano 1973 aconteceu às 19h10min, no km 108 da rodovia Palmeira das Missões-Condor (BR-158).

Depois de deixar uma via secundária, a caminhonete ingressou na rodovia em direção a Palmeira das Missões. O adolescente não teria conseguido dominar a direção em uma curva e teria invadido a pista contrária, conforme a PRF supõe pelos vestígios na estrada e pelo relato do caminhoneiro. Em sentido oposto, o motorista do Mercedes-Benz, Carlos Augusto Splendor, 42 anos, teria avistado a F-250 na contramão e saído da sua pista para evitar o choque. No entanto, o adolescente acabou retornando para a mão certa. O caminhoneiro, que apresentava sintomas de embriaguez atestados por exame clínico realizado por um médico, foi autuado em flagrante por suspeita de homicídio com dolo eventual (assumiu o risco), conforme o delegado Jucelino Medeiros de Oliveira. O caminhoneiro teria se negado a fazer o exame de sangue e foi conduzido ao Presídio de Palmeira das Missões.

À noite, os advogados Darci Pinheiro da Silva e Elizabete Farias de Souza obtiveram o relaxamento da prisão sob a alegação de que Splendor não estaria alcoolizado e que o adolescente havia provocado o acidente. Os Bandeira haviam passado a tarde de domingo em uma festa na comunidade onde possuíam uma propriedade. Mãe e filhos voltavam para casa quando houve o acidente. O único sobrevivente da família é Marcio, o mais velho dos filhos da Fátima. Em 1999, o marido dela morreu. Mãe e filhos foram sepultados no Cemitério Municipal.

O caminhoneiro teria prestado socorro às vítimas, mas deixado o local posteriormente por questões de segurança. De acordo com Elizabete, Splendor não fez exame de sangue por ter problemas de coagulação sangüínea.