A situação precária das rodovias federais goianas está fazendo com que as rodovias estaduais sigam no mesmo caminho. Por causa da deterioração das BRs, os motoristas estão buscando desvios por meio de rodovias estaduais.

Esse fluxo alternativo é encabeçado por caminhões e carretas, que causam desgaste do pavimento nas GOs. A Agência Goiana de Transporte e Obras (Agetop) calcula que mais de 80% dos problemas graves nas estradas estaduais pavimentadas, principalmente buracos, ocorrem por causa desses desvios.

O governador Marconi Perillo disse que pretende encabeçar um grande ato de protesto contra essa situação. Por telefone, O POPULAR entrou em contato por quatro vezes com o Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transporte (Dnit) em Goiás, tentando obter um posicionamento a respeito do assunto. No entanto, não houve resposta da direção do órgão.

Os prefeitos de Goiandira, Nova Aurora e Corumbaíba, na Região Sudeste, estiveram ontem com o governador. Eles narraram os problemas decorrentes do desvio do trânsito de caminhões e carretas da BR-050 para as GOs 210 e 139, ocorrido na semana passada. “Bastaram apenas alguns dias para que a rodovia estadual ficasse comprometida”, confirma o diretor de Operações e Manutenção da Agetop, Rogério Mendonça.

O desvio do tráfego pesado ocorreu por causa do risco de desabamento da ponte sobre o Ribeirão Jordão, já em território mineiro. Com isso, caminhões, carretas e ônibus estão passando pelas GOs e cortando as zonas urbanas de Goiandira, Nova Aurora e Corumbaíba. Algumas ruas da primeira cidade precisaram ser adaptadas e algumas ilhas quebradas para receber o grande fluxo de veículos. “Isso aqui virou um caos de buracos, lama e também poeira”, conta Flávia Tristão, filha do prefeito local, Joaquim Batista Tristão.

Marconi Perillo criticou o descaso do governo federal com as condições de tráfego das BRs. Ele determinou que o Procurador-Geral do Estado, João Furtado, estude a possibilidade de entrar com uma ação judicial contra a União. O objetivo seria exigir reparação pelos danos que a malha rodoviária estadual vem sofrendo por causa do grande volume de tráfego que está recebendo das rodovias federais.

De Norte a Sul – De acordo com a Agetop, o problema não é exclusivo da Região Sudeste. “O mesmo acontece de Norte a Sul do Estado”, diz o diretor Rogério Mendonça (ver informações). Ele cita como exemplos a GO-080, nas proximidades de Goianésia e Barro Alto, que vem servindo de alternativa para as más condições de tráfego nas BRs 153 e 080. “Essa rodovia estadual, que foi reformada recentemente, está seriamente comprometida”, frisa.

Rogério Mendonça explica que a malha estadual não suporta um tráfego tão pesado por muito tempo. “Esse trânsito intenso diminui a vida útil das nossas rodovias”, observa. Apesar de não saber quantos quilômetros de GOs pavimentadas estariam comprometidas hoje, Rogério Mendonça conta que a maior parte desses trechos (calculada em mais de 80%) está nessa situação por causa da precariedade das estradas federais.

O trânsito na GO-060, entre Goiânia e Trindade, deve começar a se normalizar no início da semana. A pista deve ser liberada nos dois sentidos da pista Trindade–Goiânia. Segundo a Agetop, a partir disso, os trabalhos de recuperação começarão a ser feitos do outro lado. A pista foi semidestruída por enchente do Córrego Bruacas em meados deste mês.

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