RIO – Um em cada quatro ônibus da frota carioca circula sem licenciamento pelas ruas do Rio. Segundo o Detran, 41% dos coletivos trafegam sem terem feito a vistoria anual obrigatória. Para o órgão de trânsito, a razão principal é a falta de pagamento de IPVA. Dos 13.407 ônibus registrados, 5.591 estariam em situação irregular.

Há casos de ônibus sem vistoria há cinco anos, como um da linha 398 (Tiradentes-Campo Grande), da Oriental, flagrado pelo EXTRA na Avenida Presidente Vargas, no Centro. O levantamento do Detran foi feito em julho, quando metade da frota já deveria ter sido checada. O calendário de vistoria por placas termina em novembro, mas o do IPVA se encerrou em abril. Entre outros itens, a vistoria verifica itens como segurança e controle de emissão de gases poluentes.

– A permissão dessas empresas exige a vistoria anual da frota. Esse percentual sem licenciamento é extremamente alto. Além do risco de acidentes, esses ônibus podem aumentar a poluição. E ainda é uma atividade comercial ilegal – disse o presidente do Detran, Sebastião Faria, comparando esses coletivos a piratas.

Números diferentes
O Detran também quer saber o motivo de o Rio Ônibus – o sindicato que reúne as empresas do setor na capital – informar a existência de uma frota menor do que a registrada no órgão. Enquanto o Detran tem anotado mais de 13 mil ônibus, o Rio Ônibus alega que são 8 mil. Uma das hipóteses investigadas seria a venda de coletivos para outras cidades e outros estados ou para ferros-velhos, sem que as empresas tenham dado baixa.

– Se for verdade, há outra irregularidade, com uma frota clandestina circulando fora do Rio – afirmou Faria.

Em nota, o Rio Ônibus informou que essa diferença de números se explicaria pela inclusão de “veículos de outras empresas urbanas não filiadas ao sindicato, além de ônibus rodoviários, de fretamento e até escolares”. A entidade alegou ainda que submete a sua frota aos licenciamentos do Detran e da Secretaria de Transportes.

Sobre a suposta falta de fiscalização, o secretário municipal de Transportes, Arolde de Oliveira, se defende:

– Ainda temos quatro meses para as vistorias, mas há casos de ônibus praticamente piratas. Temos centenas de linhas na cidade e certas empresas possuem quase que a exclusividade de algumas delas. Lacrar esses ônibus seria punir a população também.