Frota já passou do prazo de validade; empresa retira o lacre dos ônibus

O Detro (Departamento de Transportes Rodoviários) lacrou ontem seis ônibus da Viação Agulhas Negras e multou a empresa em cerca de R$ 8 mil. O motivo é atual situação precária da frota da viação que atende aos bairros da periferia leste da cidade. De acordo com o coordenador regional do departamento, Claro Mariano, ainda ontem, em uma reunião, ficou decidido que o Detro do Rio vai convocar nos próximos dias a empresa para que ela apresente um prazo para que a frota seja renovada.

Mesmo depois de receber a multa e ter os ônibus lacrados, a empresa retirou o lacre dos ônibus e eles voltaram a circular normalmente. Segundo Mariano, o Detro funciona como órgão fiscalizador e, após receber a denúncia pelos moradores, foi imediatamente ao local constatar as irregularidades. Entretanto, não pôde fazer apreensão dos ônibus. De acordo com ele, os veículos têm a validade de 10 anos e, depois desse prazo, a frota tem de ser renovada.

“A frota da Agulhas Negras venceu no dia 28 de novembro, por isso, os veículos já estão apresentando muitos problemas. Mas não podemos retirar todos os ônibus de circulação de uma só vez porque a população seria ainda mais prejudicada”, explicou.

Segundo o presidente da associação de moradores dos bairros Boa Vista II e São Carlos, Luiz Carlos Souza, a situação da empresa é caótica e os moradores já estão denunciando as irregularidades desde o ano passado. Souza ressaltou que no último dia 18 de janeiro, os moradores encaminharam ao Detro um relatório com todas as irregularidades apresentadas pelos ônibus.

Entre as denúncias mais graves, estão a falta de freio, veículos com volantes quebrados e pneus carecas. “Não sabemos mais o que fazer, a quem recorrer. Muitos trabalhadores estão sendo prejudicados porque os ônibus quebram e, até outro vir, eles já perderam a hora de entrar no serviço. Hoje, a empresa é a inimiga número um dos moradores”, frisou.

Souza informou que representantes de todos os bairros atendidos pela viação, como Tuvibra, Nove de Abril, Mangueira, Paraíso e Dutra, formaram uma comissão que vai continuar a lutar pelos seus direitos. Jussara Olívia do Nascimento, que integra a comissão, disse que, por eles pagarem a passagem mais cara, deveriam ser melhor atendidos.

– Pagamos R$ 1,35, a passagem mais cara. Eles só podem estar falidos mesmo. Não estamos nem um pouco satisfeitos com os serviços. Os ônibus que nos atendem, além de não serem suficientes, todos os dias quebram. É um absurdo – reclamou Jussara.

A diretoria da Viação Agulhas Negras não respondeu ao DIÁRIO DO VALE para comentar o caso.

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