Dois acidentes de trânsito, em menos de cinco dias, causaram mortes violentas em Joinville. Valcir Nunes de Souza, 23 anos, é uma das vítimas. Depois de ser atingido por uma moto, na segunda-feira, um carro surgiu em alta velocidade na pista onde ele estava caído e o atropelou. Valcir, que era pai de uma menina de 2 anos, morreu no local do acidente, antes mesmo de receber socorro médico. A mulher, agora viúva, está grávida de dois meses.

A outro vítima, Erivan Roberto Maia, tinha 22 anos e conduzia uma moto quando um carro invadiu a sua mão de direção, na semana passada. O rapaz ainda pulou da motocicleta na tentativa de evitar a colisão. Mas o motorista do carro, ao notar que havia atingido alguém, tentou fugir do local e passou com uma das rodas do veículo sobre o tórax e o pescoço do motociclista. Erivan morreu no local, distante apenas 500 metros de distância de casa. O motorista do carro estava alcoolizado.

Situações como essas motivaram a Organização Mundial da Saúde na escolha do tema para o Dia Mundial da Saúde, lembrado hoje. O dia será dedicado a discussões sobre violência no trânsito e sobre os impactos e os custos sociais causados pelas seqüelas e mortes provocadas por acidentes nas ruas e estradas. Além disso, a OMS quer também colocar em discussão os fatores que determinam a ocorrência dos acidentes, esperando assim que ações preventivas sejam realizadas em todo o mundo.

Segundo a OMS, em 2001, os acidentes de trânsito lideraram as estatísticas mundiais de mortes violentas, somando mais de 1 milhão de vítimas. No Brasil, no mesmo ano, cerca de 30 mil pessoas morreram no trânsito, segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde. Do total de morte entre os homens (que são a maioria, somando cerca de 25 mil óbitos), a maior concentração está na faixa que vai dos 20 aos 39 anos.

Em Santa Catarina, conforme dados da Secretaria da Saúde, o número de mortos, somente em 2003, soma 1.659 pessoas. Um terço delas tinham idade entre 15 e 29 anos. Em Joinville, a maior cidade do Estado, no ano passado 102 pessoas morreram vitimadas por acidentes de trânsito. O número de ocorrências envolvendo meios de transportes, assustam ainda mais. Somente no ano passado, o Corpo de Bombeiros de Joinville atendeu 2.972 casos. Este ano, até domingo, este número era de 720 – equivalente a 7,5 atendimentos/dia.

Custo

A maioria dos acidentes rendem internações hospitalares em hospitais públicos. Segundo a Secretaria da Saúde, cerca de 5 mil pessoas foram internadas, no ano passado, em 39 cidades do Estado. Joinville tem a segunda maior ocorrência, com 784 internações, perdendo apenas para Chapecó, que contabiliza quase 2 mil casos. Os dados podem ser ainda maiores porque “acidentes de trânsito” não é uma causa codificada dentro do sistema de informações da Secretaria da Saúde. Os números identificados custam ao SUS mais de R$ 4 milhões. A média de gasto, por pacientes é de R$ 888,85. A média mais alta do Estado, com gastos em internações desta natureza é de Joaçaba, R$ 2545,37 por paciente.

Uma prova de que os dados são bem maiores do que os contabilizados pela secretaria estão nas estatísticas do Hospital Municipal São José, de Joinville. Somente ele recebe cerca de 710 pessoas por mês, vítimas de acidentes de trânsito.

Condições das vias e embriaguez na lista de causas

O diretor do Hospital Municipal São José, de Joinville, Renato Castro, calcula que metade da ocupação do hospital seja resultado de acidente de trânsito. “O custo para o tratamento destes pacientes é muito alto porque a maioria precisa de próteses e talas. Se o número de acidentes fosse menor, poderíamos atender muito melhor a comunidade”, relata.

Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde, os fatores que levam aos acidentes são variados. Normalmente as condições das vias, o uso abusivo de bebidas alcoólicas, a alta velocidade e as condições precárias dos veículos são associados aos acidentes.

O Dia Mundial da Saúde, criado para comemorar o aniversário da OMS, é uma forma de estimular a discussão sobre ações que resultem na redução de mortes provocadas pelo tema escolhido, no âmbito dos governos federais e da sociedade em geral.

DEIXE UMA RESPOSTA

Você digitou um endereço de e-mail incorreto!
Por favor, digite seu nome aqui