Ulysses Carraro, Diretor de Procedimentos e Logística da Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo), admitiu que algumas empresas de ônibus estavam omitindo informações sobre acidentes ocorridos nas estradas.
“Como não podemos ficar dependentes das informações deles, decidimos reformular o sistema de coleta de dados e iremos obter as informações através das polícias rodoviárias e concessionárias de rodovias”.

Pela legislação que rege o transporte rodoviário de passageiros no Estado de São Paulo as empresas são obrigadas a informar os acidentes ocorridos. Analisando os dados de acidentes ocorridos com ônibus nos dados da Polícia Rodoviária Estadual, a Artesp constatatou que vários acidentes não estavam sendo comunicados, confirmando informações divulgadas pelo www.estradas.com.br.

Um acidente por ano para cada cinco ônibus em São Paulo

Pelas estatísticas da Polícia Rodoviária Estadual do Estado de São Paulo, ocorreram 2.945 acidentes com ônibus nas estradas estaduais em 2003. O total da frota de ônibus autorizada pela Artesp, entre ônibus de características rodoviárias, suburbanas e de fretamento, é de 14.000. Portanto, a cada cinco ônibus que circulam nas estradas paulistas durante o ano, pelos menos um sofrerá acidente. Esses dados não incluem os acidentes ocorridos nas estradas municipais. Nas rodovias federais, que cortam São Paulo, ocorreram 702 acidentes em 2003 com ônibus e micro-ônibus, para pouco mais de 1.000km de malha viária, sendo mais de 50% duplicada.


A média é de quase 66 acidentes de ônibus por ano para cada 100km de rodovia federal, isto revela que a situação nas rodovias federais é mais grave. São praticamente cinco vezes mais acidentes com ônibus proporcionalmente nas federais. “É preciso comparar o número de veículos médio em circulação para melhor avaliarmos os dados, mas os números são assustadores. A malha rodoviária estadual de São Paulo é de 21.000km, sendo 3.600 duplicados (17% to total) e a média é de 14 acidentes de ônibus por ano para cada 100km de rodovia estadual”, afirma Rodolfo Alberto Rizzotto, Coordenador do SOS Estradas, que está finalizando estudo sobre acidentes nas estradas brasileiras.

Acidentes com ônibus e micro-ônibus em 2003 em relação a malha rodoviária no Estado de São Paulo

Malha Federal(DNIT/ NovaDutra) , conta com 1.055km, ocorreram 702 acidentes e a média de acidentes/km foi de 0,66 .
Malha Estadual(DER e concessões), são 21.000km ,ocorreram 2.945 acidentes e a média de acidentes/km foi de 0,14.
No total são 22.055km de rodovias, com registro de 3.647 acidentes em 2003 e média de acidentes/km de 0,16.

As estatísticas não revelam o número de vítimas por acidente, nem quantos ônibus são clandestinos. Sabe-se que a frota de clandestinos circulante nas estradas paulistas é minoritária, embora com índice maior de acidentes, por serem veículos velhos com manutenção precária. Entretanto, a ARTESP admite que os veículos regulares também não têm sido vistoriados adequadamente. Pela Portaria 034 de 27/05/1993 o DER-SP havia delegado às empresas a vistoria dos veículos, e atualmente, mecânicos das transportadoras é que vistoriam os veículos.

Carraro afirmou que isso vai mudar e que um engenheiro da transportadora será responsável pessoalmente e poderá ser responsabilizado criminalmente em caso de irregularidade. Os donos das empresas deverão assinar termo de responsabilidade assumindo manter os veículos na mesma condição de segurança de quando for realizada a inspeção anual.

Em outros países a inspeção é feita por órgão independente. A solução da Artesp não é garantia de que as condições dos ônibus efetivamente estarão sob controle rigoroso.

O Diretor da Artesp afirmou ainda que a agência está preocupada com as condições dos motoristas e as empresas terão de obter as certificações ISO 9000 e 14000, além de demonstrarem que os motoristas estão trabalhando em condições seguras. “É preciso fazer exames de saúde mais rigorosos e nossa intenção é focar na qualidade de vida dos motoristas e atendimento ao usuário”, afirmou Carraro.

Na avaliação do Diretor da Artesp, os acidentes por excesso de velocidade ocorrem com mais frequência com ônibus clandestino. Entretanto, reconheceu que em determinadas linhas estava ocorrendo abuso. “As empresas que operam a linha de São Paulo para Ribeirão Preto estavam fazendo as viagens em 3h10min e determinamos que façam em 3h30min até a Marginal do Tietê”. Segundo a Cometa a viagem está sendo feita em 3h40min até o terminal rodoviário.
O tempo de viagem é estabelecido respeitando os limites de velocidade do trecho. Em 3h10min a viagem era feita com média de 101km/h, 11km/h acima do limite permitido nas rodovias paulistas. Essa média incluía o trânsito da marginal do Tietê, trecho urbano de Ribeirão e redução de velocidade em trechos urbanos da Anhanguera, postos de pedágio, o que indica operação acima dos 110km/h em vários trechos. Atualmente, a média no trajeto rodoviário baixou para 89km/h, muito próxima do limite máximo do trecho, que varia entre 90km/h e 80km/h. O que indica que ainda pode estar havendo abuso.

Ônibus de dois andares não serão praticamente usados em São Paulo

Para Carraro, engenheiro de formação, com Mestrado em Transportes, os ônibus de dois andares são inadequados para a maioria das estradas. “Isso é bobagem. Foi usado como apelo de marketing, mas sua utilização só é possível em poucas rodovias, como é o caso da Bandeirantes (SP 348) e Washington Luís (SP310).que oferecem grande visibilidade.” Carraro diz que já sinalizou às empresas que esses ônibus não são adequados. ” Nas estradas de pista simples, então, nem pensar”.


Leia mais sobre o tema na matéria: Ônibus de dois andares podem tombar com mais facilidade ( http://estradas.com.br/noticias/materia.asp?id=8191 ).

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