Um levantamento feito pelo Departamento Nacional de Trânsito mostra ainda o perfil de quem insiste em combinar álcool e volante.

Daniela de Oliveira se arrepia só de lembrar do medo que sentiu. Ela estava com os dois filhos na EPTG e quase foi atingida por um carro que fazia ziguezague na pista.

“Quase bateu no meio-fio, as outras pessoas buzinando… Meu cunhado também estava no carro ao lado, ansioso e temendo por nós”, lembra.

A Lei Seca pôs muito motorista na linha. “Passava no posto de conveniência, pegava umas latinhas e saía tomando. Agora só tomo quando chego em casa”, assegura o autônomo Antônio Botelho.

Mas depois de três meses, tem gente que continua desafiando a lei. “Mesmo com a Lei Seca as pessoas estão saindo de carro bêbadas e dirigindo assim mesmo, do bar”, diz o policial militar José Mauro Gonçalves.

“É fato: existem sim pessoas que bebem, dirigem e misturam as estações mesmo”, afirma o bombeiro Élson Santos.

Pesquisa do Departamento Nacional de Trânsito, feita em 13 capitais, revela que o DF é campeão em autuações de motoristas alcoolizados. Em julho e agosto, 587 foram pegos pelo bafômetro. Contra 142 no mesmo período de 2007. Na estatística do Detran, que considera os primeiros três meses de Lei Seca, 847 motoristas foram autuados. É quase a mesma quantidade de todo o ano passado: 1008.

O aumento dos flagrantes foi acompanhado da redução do número de acidentes, mas não na mesma proporção. De acordo com o levantamento, em julho e agosto de 2007, foram 85 acidentes com morte nas ruas do DF. Esse ano, no mesmo período, foram 69.

“A multa está sendo aplicada, R$ 957, mais a cassação da carteira. Mas eu não conheço ninguém que tenha perdido a carteira”, conta o corretor Emanuel Ponciano.

O diretor do Detran diz que nos três primeiros meses de Lei Seca, a redução nos acidentes foi de 20%. Segundo ele, resultado de uma fiscalização mais rigorosa, que vai continuar. E faz um diagnóstico do comportamento do motorista infrator.

“Aquele que bebe socialmente ou eventualmente está se cuidando. Evitando beber e dirigir. Infelizmente, aquele que bebe porque é viciado ainda não está acreditando. Esse tem sido pego e levado à delegacia”, pontua o diretor-geral do Detran, Jair Tedeschi.

“A sociedade paga, gasta, com acidente de trânsito 28 bilhões de reais ano. Então, há necessidade de se investir em prevenção para não só evitar mortes, mas o gasto que poderia estar sendo direcionado para educação e saúde, de uma maneira mais sensata”, acredita o diretor do Denatran, Alfredo Silva.

Além do Distrito Federal, a pesquisa foi feita em 13 capitais. O diretor do Denatran explicou ainda que o fato do DF ter uma fiscalização única facilita a aplicação da lei. Em outros estados, a fiscalização depende de convênios entre os órgãos estaduais e municipais.