A precariedade do asfalto de pelo menos 2 mil quilômetros das rodovias federais que cortam Goiás, de um total de 3,8 mil quilômetros, já vem
trazendo prejuízos à economia do Estado, e a situação pode se agravar ainda mais, por causa da intensidade das chuvas, se medidas não forem tomadas urgentemente. As principais vias de escoamento da produção agrícola do Estado, também portas de entrada de produtos das regiões Sul, Sudeste e Norte do País, são as mais afetadas. Verdadeiras crateras tomaram conta das BRs-153, 158, 364, 452, 354, 040, 251, 020, 080, e 441 (veja mapa ao lado), tornando o trânsito de veículos lento e perigoso. Em praticamente todos esses pontos, podem ser vistos caminhões com problemas mecânicos, acarretados pela péssima condição das estradas. No ano passado, caminhonheiros chegaram a paralisar o tráfego na BR-153 (também conhecida como Belém-Brasília), para chamar a atenção das autoridades para a situação da rodovia. A manifestação surtiu efeito. Alguns trechos, dentre eles o que fica próximo à divisa entre Goiás e Tocantins, foram recuperados, mas o DNER reconhece a necessidade de manutenção da malha viária em outros locais. Burocracia O chefe do DNER em Goiás, José Olímpio Maia Neto, atribui a deteriorização das rodovias federais a uma série de fatores, entre a falta de recursos e burocracia. “A malha já está com sua vida útil ultrapassada e a restauração da mesma não foi feita”, disse. Maia Neto dispõe de dados que mostram a queda vertiginosa de investimentos no setor no País. No início dos anos 70, eram investidos na malha rodoviária 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB), porcentual que caiu, hoje, para 0,2%. No mesmo período, a frota de veículos cresceu 66%. Conclusão: a realidade de nossas estradas não poderia ser diferente. Especificamente sobre a recuperação dos trechos das rodovias federais em território goiano, as notícias não são animadoras. José Olímpio adiantou que não há dotação orçamentária em 2002, para investimentos, por exemplo, na recuperação do trecho de 90 quilômetros da BR-158, entre Piranhas e Aragarças. Informou que, quando passar o período chuvoso, será feita operação tapa-buracos e proteção com capa asfáltica. José Olímpio adiantou ainda que a rodovia 452, entre Itumbiara e Rio Verde, está em fase de restauração, assim como no trecho da BR-364, entre Portelândia e Santa Rita do Araguaia. “Sempre que há estiagem, imediatamente o DNER faz a operação tapa-buracos. A BR-153, por exemplo, você pode observa que não há quase buracos”, garantiu. Mas a salvação das rodovias federais em Goiás, como avalia o chefe do Distrito do DNER no Estado, passa pelo programa do governo federal “Nossa Estrada”. Aproximadamente 5,7 mil quilômetros de rodovias, em todo o País, serão terceirizados, com recursos do Bird e do BID, totalizando 700 milhões de dólares, “sem burocracia e sem cobrança de pedágio”, garante José Olímpio. Ele informou que o programa, em Goiás, já começou a ser implantado, e vai atingir 712 quilômetros em trechos das BRs 020, 040, 070 e 251. Também serão licitados 444 quilômetros da BR-153, entre Anápolis até a divisa com o Estado do Tocantins. “Trata-se de um programa bem elaborado, pois contempla restauração e manutenção, com alto grau de qualidade”, frisou. Governador quer pagar, mas terá de pedir a FHC Para amenizar a situação crítica das rodovias federais que cortam o Estado, o governador Marconi Perillo já assegurou que buscará o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele alega que não surtiu efeito a peregrinação que fez ao Ministério dos Transportes, e que, portanto, terá de recorrer a FHC, pois a situação é insustentável. A Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop) informou ontem que o Estado, emergencialmente, está trabalhando para tornar transitável os trechos mais críticos das estradas, tendo atenção especial com a BR-158, no trecho entre Piranhas e Aragarças. Trata-se de uma preocupação para evitar desgastes dos veículos e acidentes. Tudo indica que o Estado, segundo a Agetop, vai oficializar junto ao DNER a delegação de trechos críticos de rodovias, como forma de amenizar o problema. O chefe do Distrito do DNER, José Olímpio, garantiu que o órgão, onde o processo tem início, estará aprovando o pedido do governo estadual, como sempre o fez. “Asseguro que não há nenhum conflito com o governo estadual”, disse ele. Por isso mesmo, Olímpio assegura que há equívoco do Estado em relação à polêmica sobre o trecho entre Piranhas e Aragarças, na rodovia 158. Explicou que o trecho é de competência do DNER, e que se o governo quiser recuperá-lo, terá de formalizar a delegação de poder junto ao órgão. “De nossa parte não haverá nenhuma intransigência”, disse. Lembrou, no entanto, que praticamente todos trechos sob responsabilidade do Estado apresentaram questionamentos, feitos pelo TCU. Mauro Miranda diz que Goiás está ilhado O senador Mauro Miranda (PMDB) considera acertada a decisão do governador Marconi Perillo em recorrer ao presidente FHC, em busca de solução para as rodovias federais no Estado. “Goiás está ilhado em seus principais eixos”, afirmou. “Para a economia do Estado, isso é um desastre”, arrematou. Miranda ponderou que, por outro lado, o cidadão que transita pelas rodovias esburacadas, não pode ser penalizado. Mas o senador não critica o chefe do Distrito do DNER em Goiás, José Olímpio, por entender que as determinações partem “de cima”, referindo-se ao Ministério dos Transportes. O senador defende uma ação suprapartidária para amenizar a situação caótica das estradas federais. Para ele, o governo federal não pode usar as chuvas como desculpa para não atacar o problema de frente. “Se o governo quiser, ele pode resolver o problema, da mesma forma que recuperaram a BR-153, no trecho do Tocantins, onde pontes foram levadas pela força das águas”

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