Com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) demoliu, ontem, os 11 barracos que estavam postados à margem da BR-101 e em parte do canteiro da avenida Dão Silveira, em frente ao conjunto de apartamento Parques das Pedras, em Neópolis.

O diretor do Dnit no Rio Grande do Norte, José Narcélio Marques de Souza, disse que a retirada dos barraqueiros da antiga parada de ônibus do cajueiro, como era popularmente conhecida, vinha sendo postergada há quase dois anos – “para não criar mais problemas sociais” -, enquanto não se providenciava a mudança da parada de transporte coletivo para um trecho mais adiante, já próximo ao supermercado atacadistas Sam’s, uns cem metros antes do túnel de Néopolis.

Com a desativação da parada do cajueiro, Souza disse que “não tinha mais razão” para as barracas continuarem no local, mesmo porque os proprietários tinham tido tempo para preparar sua saída, diante da demanda judicial que o Dnit também promoveu para retirá-los de lá, e até porque nove desses barracos “já estavam desativados”.

Marques explicou que posteriormente o Dnit vai tomar as mesmas providências com relação aos barracos acostados ao longo da BR-101, no chamado parque das mangueiras, próximo, no Gancho de Igapó, acesso para a cidade de São Gonçalo do Amarante.

Ele ainda informou que não teve de se falar em indenização para os barraqueiros, porque eles “tinham invadido a faixa de domínio do Dnit irregularmente”, além de que a instituição estava amparada judicialmente.

Com a retirada dessas barracas, Marques arguiu que elas enfeiavam a entrada de Natal, considerada uma das mais bonitas de todas as capitais do país, e ainda ofereciam riscos aos pedestres e motoristas de veículos, que tinham dificuldades de visibilidade na rodovia federal e na marginal da Dão Silveira. “A ação foi feita basicamente por questões de segurança”, ressaltou ele.

No final da tarde de ontem, alguns barraqueiros acompanhavam a demolição de suas “cigarreiras”, como Canuto de Araújo Fernandes Neto, 40 anos, que até reconhece a ilegalidade de trabalhar num barraco à margem de uma BR. O que ele pensava é que antes de retirar as barracas, as autoridades podiam ter encontrado uma alternativa, porque a essa altura e com a idade que tem, “fica difícil arranjar emprego para sustentar a família”.

Com seis filhos para criar, o santacruzense Valdemar de Oliveira, 51 anos, disse que “vivia disso” e não tinha outra coisa para fazer e ganhar a vida. Ele reclamava que podiam “ter dado mais um prazo” para eles arranjarem outro local para trabalharem com o comércio de bebidas alcoólicas, refrigerantes e lanches.

Alguns estão colocando “churrasquinho” na calçada de um prédio fechado, que do outro lado do local onde estavam as barracas. Outros, estão trabalhado como ambulantes no local da nova parada, antes do Sam’s.