Embreagem automática, freios ABS, controle de tração, GPS (sistema de posicionamento global), suspensão automática e câmbio com troca de marchas no volante. Ao entrar, basta apenas apertar o botão – ou mesmo pôr o polegar no display de leitura ótica – para ligar o veículo. Não é carro de Fórmula 1, não! De uns anos para cá, modelos esportivos e de luxo, especialmente os importados das marcas Mercedes-Benz, Audi e BMW, entre outras, incorporaram uma série de “ingredientes” tecnológicos, semelhantes aos utilizados pelas “máquinas” da F-1.

Mas será que o motorista brasileiro sabe usar ou tirar proveito dessas inovações tecnológicas? Alguns sim, outros – a maioria – têm lá suas dúvidas. No início do mês passado, o Mercedes C-320, de propriedade de Ana Lúcia Lacerda Marques, mulher do cantor Bell Marques, caiu dentro de uma vala na Avenida Garibaldi, depois de ter sido fechado por um ônibus.

No caso, segundo relato da motorista, foi um acontecimento comum, resultado de problemas de trânsito. Mas acidentes com carros importados de luxo às vezes podem estar ligados à dificuldade de controlar o veículo, quase sempre dotado de muitos recursos de condução e alta potência. Uma coisa é a resposta de um carro com motor 1.0 quando se pisa no acelerador. Outra bem diferente é a reação de um modelo com motor 3.0 de seis cilindros, que tem, em média, três vezes mais potência do que o 1.0.

Inexperientes – Discussões à parte, alguns motoristas, principalmente os inexperientes, sentem dificuldades ou passam por um período de adaptação para usar até o sistema de freios ABS, oferecido hoje em veículos nacionais – como item opcional – e importados.

O professor Roberto Sacramento, integrante do laboratório de mobilidade do departamento de engenharia mecânica da Escola Politécnica da Ufba, explica que as montadoras incorporam anualmente inovações tecnológicas nos veículos. Por outro lado, os motoristas devem saber usá-las para que não virem uma “arma” no trânsito. O sistema ABS, pontua Sacramento, oferece uma maior segurança em frenagens, desde que o motorista saiba utilizá-lo. Quando se pisa fortemente em um freio com ABS, o pedal trepida, o que é normal, próprio do sistema. Acontece que, se o motorista não estiver acostumado com isso, pode se assustar e soltar o pedal, causando um acidente.

Equipamentos – Recheados de equipamentos, os carros importados oferecem vantagens – e algumas desvantagens – para quem está ao volante. Não resta dúvida de que sistemas como o câmbio com troca de marchas no volante em estilo paddles (borboletas) ou o computador de bordo proporcionam mais segurança e conforto para o motorista.

Paulo Armani, gerente de vendas da Audi/Sanave, diz que geralmente quem compra modelos como o Allroad e A8 já possui experiência com veículos mais sofisticados. “Esses carros possuem opções como câmbio no volante, sistemas automáticos de freios, suspensão regulável e tração nas quatro rodas, computador de bordo e faróis “inteligentes”. Na verdade, tudo isso é para aumentar o conforto e a segurança dos passageiros. Agora, realmente, o motorista tem buscar as informações”, aponta.

Proprietário de veículos importados desde 1992, o neurocirurgião Jailton Sampaio diz que penou por alguns dias para entender direito o funcionamento do computador de bordo do seu Mercedes-Benz. “Não foi fácil. Tive que pedir ajuda à minha filha, que conhece mais de computação”, diz. Ele reconhece até que muitos motoristas não gostam nem de ler as instruções no manual do veículo. “Se todo mundo fizesse isso, as dúvidas seriam bem menores”, acredita Sampaio, que tem ainda, no carro, suspensão automática, piloto automático, freios ABS e painel digital de múltiplas funções.

Conforto – Já Genival Moncovo, que é professor, demonstra enorme satisfação em falar dos itens tecnológicos do seu Mitsubishi Eclipse. Na primeira vez em que se sentou no veículo, ele ficou surpreso com o sistema automático do cinto de segurança. “Sentei e o cinto projetou-se automaticamente no meu corpo”, conta. Moncovo, que possui também um Pajero Sport, aponta algumas vantagens de ter veículos com avanços tecnológicas. “Quando comprei o Eclipse, em 1994, era tudo novidade. Fiquei impressionado”, recorda, dizendo que o Pajero, por exemplo, oferece painel de instrumentos com altímetro, bússola e inclinômetro.

Para quem tem modelos fabricados no Brasil, como o Classe A, o nível de equipamentos já impressiona. Luciana Dalmagro é só elogios para o seu Mercedes-Benz. “O Classe A só falta falar. Ele tem um sistema de informações no painel que avisa até o período das revisões mecânicas. Se entro em uma curva mais forte, aparece um sinal vermelho no painel”, indica Luciana, que comprou o modelo há três anos e sentiu uma grande diferença em relação ao seu Fiat Palio.

Ela contou ainda que, no início, teve que pedir informações detalhadas sobre o funcionamento dos equipamentos disponíveis no Classe A. “Como sabia que a Mercedes é uma marca que se preocupa com a segurança, comprei o Classe A e até agora não fiquei arrependida. O carro oferece conforto e muita segurança”, garante Luciana, que gosta da altura do banco do veículo em relação aos modelos mais populares. “Dirijo em um posição mais alta. Isso é muito bom”, elogia.

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