Com autonomia de 1000 km, gastando 20 a 30% menos combustível, com baixíssima emissão de gases poluentes na atmosfera, além de ser eficiente e confortável, a versão híbrida de veículos elétricos (onde a eletricidade é suprida por um gerador a bordo) já é um sucesso nos mercados norte-americano e europeu, mas ainda é praticamente desconhecida no Brasil. A falta de divulgação das vantagens do carro elétrico sobre o convencional e de discussões sobre a inclusão desses veículos no mercado são os motivos pelos quais, na opinião do INEE – Instituto de Eficiência Energética, ele é ainda incipiente no país.

É por isso que o INEE resolveu reunir no II Seminário sobre Veículo Elétrico Híbrido – VEH, a ser realizado nos dias 27 e 28 de abril, no Blue Tree Convention (Av. Ibirapuera, 2.927), em São Paulo, os dirigentes, técnicos e especialistas brasileiros e internacionais ligados ao planejamento estratégico de montadoras, fábricas de veículos elétricos, empresas de componentes, fornecedoras e distribuidoras de combustíveis e distribuidoras de energia elétrica, além de entidades ligadas às questões ambientais voltadas para redução da poluição associada aos transportes, centros de pesquisas, laboratórios e universidades e os representantes dos órgãos de meio ambiente e de transporte dos governos municipais, estaduais e federal.

Ingresso no Brasil

O Objetivo desse encontro é discutir as vantagens e os caminhos para acelerar o uso dos veículos elétricos no Brasil, notadamente os híbridos, eliminando-se dificuldades artificiais como as associadas a uma legislação que parte do princípio que todos os automóveis são acionados com motores a explosão.

Os primeiros Veículos Elétricos Híbridos (VEHs) surgiram em 1998 e, superado o estágio experimental, eles já são encontrados atualmente em mais de 200 modelos, tanto de passeio quanto para o transporte público em cidades como Nova York, Toronto, Seatle, Santiago do Chile e Aukland. No Brasil, estão sendo fabricados ônibus com este conceito por uma empresa em São Paulo, que já o exporta para o Chile e para o Panamá.

De acordo com o diretor geral do INEE, Jayme Buarque de Hollanda, os Veículos Elétricos – a bateria ou híbridos – têm tudo para conquistar facilmente o mercado brasileiro. Além de extremamente econômicos e “ambientalmente correto”, os veículos elétricos híbridos apresentam hoje maior eficiência e muito mais conforto.

Eficiência comprovada

O INEE tem defendido o uso dessa tecnologia no Brasil pelo fato de o motor elétrico ser mais apropriado para atender a tração de veículos do que os motores de combustão interna (MCI), que hoje equipam os veículos convencionais. “A eficiência do motor elétrico ultrapassa os 90% e têm a vantagem de poder acionar também as rodas. No veículo convencional, a eficiência do motor é da ordem de 30% e sua caixa de câmbio desperdiça mais energia. Os ganhos com a economia são apropriados pelo consumidor e pelo país, que usa menos combustível fóssil para produzir o mesmo serviço”, explica Jayme Buarque de Hollanda.

Economia com energia

De acordo com Jayme, o veículo elétrico está restrito a usos “fora de estrada”. No trânsito, entretanto, o VE é muito econômico porque não usa energia quando está parado em semáforos ou congestionamentos, diferente dos convencionais que, mesmo nestas situações, mantêm o motor ligado, consumindo combustível. Outra vantagem apontada por ele é o freio regenerativo dos veículos elétricos mais modernos. “Quando o carro é freado o motor elétrico se transforma em um gerador que oferece a resistência mecânica necessária para parar o veículo e, ao mesmo tempo, para gerar energia elétrica e recarregar as baterias para uso posterior”, exemplifica.

Segundo o INEE, para abastecer os 24 kWh da bateria do EV1 (carro elétrico da General Motors de porte médio), suficientes para oferecer autonomia de 120 km no trânsito urbano ao veículo, o custo é de R$ 11,00 (com tarifa residencial, a mais elevada). Um automóvel convencional equivalente gastaria cerca de R$ 30,00 com gasolina para fazer o mesmo percurso.

Desvantagens

A baixa autonomia, demora para recarregar das baterias (de oito a dez horas no caso acima) e a necessidade de investir em novas baterias a cada período de três a cinco anos são os principais problemas do VE. Jayme afirma que, não obstante, “a tecnologia das baterias está sendo rapidamente aperfeiçoada, fenômeno visível nos telefones celulares onde são cada vez menores, menos exigentes e com maior capacidade”. “O problema do tempo de carga das baterias pode ser reduzido se elas forem carregadas fora do veículo. O VE é viável para usos em frotas de veículos urbanos – caminhões de entrega urbana e da coleta de lixo, por exemplo – que sempre voltam a um mesmo ponto onde as baterias podem ficar carregando e são trocadas”, considera Jayme.

Carro verde

Para garantir as vantagens dos veículos elétricos e, ao mesmo tempo, obter autonomias maiores que os convencionais, no final do século foram lançados os modelos híbridos que, em vez de dependerem exclusivamente das baterias, têm a bordo um gerador, acionado por um motor de combustão interna semelhante ao dos veículos convencionais. Os ganhos de eficiência são enormes, pois além do carro herdar as propriedades de eficiência dos veículos elétricos, o gerador só opera na rotação em que o motor é mais eficiente e polui menos.

O resultado, além de uma invejável autonomia que em alguns carros é de 1000 km, são as baixíssimas emissões atmosférica, pois como o motor de combustão interna funciona sempre no mesmo regime, a poluição cai sensivelmente. É por esta razão que os VEH comercializados nos Estados Unidos são os mais limpos dentre os carros oferecidos comercialmente naquele país.

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