Representantes de entidades, federações rodoviárias e órgãos de engenharia estão manifestando apoio às ações do governo do Paraná na luta por uma tarifa de pedágio mais justa. Numa reunião organizada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), foi apresentada a proposta de redução de até 62% do pedágio, resultado de cálculos e análises realizadas por uma auditoria nas concessionárias.
Após a apresentação, o presidente do Instituto de Engenharia do Paraná, Gilberto Piva, foi enfático: “Esta exposição deveria ter sido realizada há nove anos, quando o pedágio foi implantado, visando apenas o lucro das empresas, ignorando o interesse da população paranaense!”. A discussão da sociedade – acrescentou – poderia ter mostrado a real necessidade da aplicação deste modelo de pedágio.
Para o Rui Cichella, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná, Rui Cichella, o pedágio pode ser uma necessidade para manter a correta manutenção das rodovias. “Mas deve ter um preço razoável a partir de uma discussão aberta com a população”.
Outra crítica de Cichella é com relação ao pagamento antecipado pelas obras que as concessionárias devem realizar. “Não sei se poderei usufruir de uma duplicação que estou pagando hoje e que só vai ser realizada daqui a 10 anos”.
Nelson Canan, presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, também condena os contratos de concessão. “Pagamos por obras pesadas pelas quais talvez nem iremos usufruir, porque elas estão previstas para o final do contrato”.
Representantes da Cooperativa dos Transportadores Rodoviários Autônomos Mourãoenses (Cotramo) denunciam a situação difícil em que se encontram os mais de 200 cooperados atendidos pela entidade.
“Caminhoneiros vão com dinheiro contado, quase não conseguem se alimentar e têm o seu lucro bastante reduzido por causa das altas tarifas cobradas pelas concessionárias do pedágio”, contou Inácio Akama, secretário da cooperativa..
Dorival Bartzike, presidente da Cooperativa de Transportadores Rodoviários e Serviços de Cafelândia, acrescenta: “O valor abusivo na tarifa prejudica toda a economia e é refletido no preço que o consumidor final paga pelo produto”.
Prova do reflexo na economia é o relato de Arlindo Rodrigues, da Associação de Comerciantes das Margens de Rodovias do Paraná. “Com o pedágio caro, os caminhoneiros são obrigados a fazer economia nas refeições, o que tem acarretado o fechamento de muitos bares e restaurantes”.

Pedágio de manutenção
deverá funcionar na 323
O diretor-geral do DER, Rogério Tizzot, afirmou que os estudos para a implantação de um pedágio de manutenção na PR-323, entre Maringá e Francisco Alves, em uma extensão de 160 quilômetros, já estão sendo iniciados. “Os técnicos do DER estão evoluindo nos estudos e acreditamos que ano que vem estaremos implantando o pedágio de manutenção nesse trecho”.
A idéia, explicou, é implantar o pedágio de manutenção na PR-323, entre Maringá e Francisco Alves, numa extensão de 218 km. Para manter a estrada, a tarifa seria de R$ 2,00 (carros de passeio) e R$ 1,25 por eixo de caminhões, em duas praças no trecho”, calculou.
Como exemplo, o diretor citou o caso de um caminhão de sete eixos que, para percorrer 160 quilômetros entre Maringá e Umuarama, pagaria R$ 8,75. Se for comparado o mesmo percurso (160 km) de um trecho concessionado pela Viapar, por exemplo, entre Maringá e Ubiratã, o mesmo caminhão passará por duas praças de pedágio, pagando um total de R$ 57,40.
”O princípio desta iniciativa é oferecer aos usuários das rodovias mais conforto e segurança, por um preço mais barato. Não vamos incorrer nos mesmos erros cometidos no chamado Anel de Integração, no qual a megalomania gerou um sistema inviável para os usuários”, afirmou..
No modelo proposto os investimentos para melhorias de capacidade – como duplicação, construção de terceiras faixas, ampliação e interseção – as obras serão custeadas, quando necessários, pelo Tesouro do Estado. Os valores cobrados na praça de pedágio serão utilizados para manutenção do trecho, como operação tapa buraco, restauração, reperfilagens, ou seja, serviços necessários para manter a rodovias com qualidade de trafegabilidade.
Além do trabalho de conservação da estrada, Tizzot disse que o estudo abrange assistência ao usuário. “Uma equipe percorrerá toda a extensão da área pedagiada para prestar orientação aos motoristas. Também, por meio de um convênio com o Corpo de Bombeiros, o Siate poderia prestar atendimento em casos de acidente”, acrescentou o diretor do DER.

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