Penas mais rigorosas, punição para pais omissos na orientação de filhos no trânsito, mais sinalização e fiscalização e, principalmente, rapidez no andamento dos processos na Justiça foram algumas das propostas apresentadas pelos participantes da audiência pública que debateu as tragédias no trânsito. O debate, promovido nesta quarta-feira pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara, foi realizado na data em que a Organização Mundial de Saúde comemora o Dia Mundial da Saúde dedicado ao trânsito.

A audiência pública contou com representantes do Governo, de organizações não-governamentais, associações e parentes de vítimas. Os depoimentos foram marcados pela tristeza e indignação dos familiares de vítimas.

O deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), coordenador da Frente Parlamentar pelo Trânsito Seguro, adiantou que serão realizadas outras audiências públicas para discutir os motivos da demora da Justiça na análise de processos de crimes no trânsito.

Perdas financeiras

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, morrem por ano no Brasil cerca de 30 mil pessoas em decorrência da irresponsabilidade no trânsito. Segundo dados da OMS, do total de mortos pela violência no trânsito no mundo, 50% têm entre 15 e 44 anos, o que resulta em alto custo para os sistemas de saúde.

Para o deputado Beto Albuquerque, além dos danos à pessoa, outro fato a ser considerado são as perdas financeiras provocadas pelos acidentes. A estimativa mundial dos prejuízos provocados por acidentes de trânsito é de 65 milhões de dólares por ano.

No Brasil, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o custo é de R$5,3 bilhões . “Debater esse assunto é uma necessidade, pois os custos decorrentes, não apenas das perdas de vidas que nós temos, mas das conseqüências para a saúde no Brasil e no mundo, são extremamente pesados, tendo em vista os que ficam com seqüelas, tetraplégicos ou paraplégicos, além dos traumas”, disse o coordenador da Frente pelo Trânsito Seguro.

Alcoolismo no trânsito

Os participantes também debateram na audiência a combinação álcool e direção, que, segundo órgãos de trânsito no Brasil, é responsável por 65% dos acidentes. O deputado Beto Albuquerque citou o projeto de lei, já aprovado pela Câmara e em tramitação no Senado, que prevê ação preventiva sobre o alcoolismo no trânsito, com uso de equipamentos e provas testemunhais.

Proteção a ciclistas

A falta de respeito ao ciclista e ao pedestre também foi lembrada pelos convidados. A coordenadora da organização não-governamental (ONG) Rodas da Paz, Beth Veloso, pediu à Câmara providências para que sejam cumpridos os artigos do Código de Trânsito Brasileiro que tratam da proteção aos ciclistas. Ela explicou que, somente no ano passado, 60 pessoas morreram atropeladas em Brasília.

Para a convidada, “Brasília traduz a ditadura das rodas” e “a bicicleta é uma fonte de preconceitos”. A coordenadora lamentou ainda o fato de que nem a Câmara dos Deputados tem estacionamento para bicicletas.

Vários países promoveram nesta quarta-feira atividades para lembrar que o trânsito é um problema grave de saúde pública.

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