A qualidade da malha viária do Rio Grande do Norte piorou este ano. Segundo levantamento do Guia Rodoviário 2004, publicação do Guia 4 Rodas que chega às bancas no dia 8 de abril, 312 quilômetros das estradas do Estado estão em condições precárias de tráfego. No ano passado, a extensão de trechos esburacados era de 148 quilômetros. Houve, portanto, um aumento de aproximadamente 110%. Em todo o país, a quantidade de estradas esburacadas aumentou, em média, 53% nesse mesmo período.
A equipe do Guia 4 Rodas percorreu e avaliou mais de 250 mil quilômetros de estradas brasileiras para preparar a edição e em quase todos os Estados a malha viária tinha buracos, deformações, sinalização inadequada ou inexistente. No ranking geral do Guia, o RN está em 11o lugar entre os Estados com mais quilômetros esburacados. O primeiro lugar é da Bahia e o último do Distrito Federal.
O Guia define como trecho precário os locais onde não é possível trafegar a uma velocidade superior a 60 km/hora e o motorista tem de redobrar a atenção por conta das condições da pista. A grande vilã, de acordo com o levantamento, foi a forte chuva dos primeiros meses do ano. A água caiu com tanta intensidade que arrasou pontes, rachou o asfalto e praticamente comprometeu o orçamento federal com as obras de emergência e de recuperação das vias.
“O Rio Grande do Norte não ficou à margem dos estragos que as chuvas provocaram em todo o país”, disse o coordenador do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte (DNIT) no RN, José Narcélio Marques Sousa.
De acordo com ele, as rodovias federais mais atingidas no RN foram a BR-101, que liga Natal à Paraíba, a BR-304, de Natal a Mossoró e a BR-406, que liga a capital à Macau. “No geral, as nossas estradas estão em regular estado de conservação. Temos a segunda melhor malha do Nordeste. A única via que está péssima é a BR-405, no trecho entre Jucuri e Itaú”.
Narcélio Marques afirmou que as providências para resolver o problema já estão sendo tomadas. A BR-101, segundo ele, está praticamente recuperada. Na 304 e na 406 o DNIT ainda está trabalhando. O coordenador do órgão não soube dizer quanto o governo federal está gastando nesse trabalho, mas garantiu que será o suficiente para que os problemas sejam resolvidos em breve.
Os problemas nas estradas do RN não se restringem às rodovias federais. Segundo o levantamento do Guia 4 Rodas, três trechos de vias estaduais estão em condições precárias de tráfego. São eles: RN-064, entre Touros e a saída para praia de Caraúbas, e RN-118 entre Itajá e Alto do Rodrigues e entre Jucurutu e Caicó. O diretor geral do Departamento Estadual de Estradas e Rodagem (DER), Delevam Queiroz, foi procurado pela TRIBUNA DO NORTE para comentar o levantamento do Guia, mas não foi encontrado.
Em audiência pública no último dia 16 de março, ele declarou que para as estradas estaduais voltarem ao que eram antes da chuvas, seriam necessários, hoje, cerca de R$ 20 milhões para recuperá-las. Ele também informou que 44% das estradas do RN estão em situação precária de tráfego, mas disse que elas hoje têm uma idade entre 15 e 20 anos, enquanto a duração para que tenham boas condições de tráfego é de oito a dez anos.

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