Acidente no perímetro urbano da BR-153, em Aparecida de Goiânia, que resultou na morte de três pessoas em novembro

O número de mortes nas rodovias goianas em 2008 já chega a 574. O resultado é da soma das ocorrências com mortes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Rodoviária Estadual (PRE), e representa queda de 9,6% em relação a 2007, quando 628 foram a óbito. O maior número de óbitos está nas rodovias estaduais. Até o final de novembro deste ano, o Batalhão Rodoviário da Polícia Militar registrou 356 mortes, quatro a menos que todo o ano de 2007, quando 360 perderam a vida. Nas estradas federais, houve queda. Até 17 de dezembro, o Núcleo de Acidentes da PRF havia computado 218 óbitos – queda de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.

As autoridades avaliam que a lei seca teve influência nos números das mortes. Chefe do Núcleo de Acidentes da PRF, Jozi Oda afirma que não há dúvidas que a lei seca foi importante, uma vez que reduz não só acidentes, como também a velocidade do impacto em colisões. No entanto, as estatísticas de mortes e acidentes são consideradas muito altas, e podem reduzir ainda mais.

Dados da PRF mostram que o número de acidentes chegou a 4,8 mil, contra 4,3 mil em 2007. Este ano, 1,5 mil pessoas sofreram lesões leves e 884 ficaram gravemente feridas. “O número de acidentes ainda está alto”, comenta o inspetor Newton Morais, chefe de Comunicação da PRF.

Ele pontua que as melhorias nas condições das estradas e o aumento da frota de veículos, associados a imprudência, ainda aparecem como os principais fatores causadores de acidentes.

Entre os tipos de acidentes que mais fazem óbitos estão a colisão frontal, com 26,6%; saída de pista, 19,5%; atropelamento em perímetros urbanos, 13,8%; e colisão traseira responsável, 12,3%. Outra constatação é que 74,9% das mortes ocorreram em vias retas; 20,5%, em curvas; e 4,5%, em cruzamentos. Newton revela que mais da metade dos óbitos ocorre na BR-153. A explicação é que se trata da maior rodovia que corta o Estado. “Os acidentes ocorrem principalmente durante o dia, em pistas com boa condição de tráfego e em pistas retas.”

Um das preocupações da PRF é o perímetro urbano de Goiânia, principalmente na BR-153, onde os atropelamentos têm aumentado significativamente. Segundo Newton, os principais atropelamentos aconteceram na BR-153, do Km 500 ao 520, principalmente na saída para Aparecida de Goiânia, próximo à Universidade Paulista. Um dos acidentes trágicos neste local aconteceu no mês passado, quando Anésia Bicudo da Rocha, 43, Ledir de Araújo dos Santos, 39, e Vitória Cristina, 2, morreram atropeladas, no Km 504, trecho urbano da BR-153, em Aparecida. As duas amigas e a filha de Ledir tentaram atravessar a rodovia sem olhar.

De acordo com a versão contada à PM, na ocasião do acidente, dois caminhões que trafegavam no sentido Goiânia–Aparecida passaram no local quando as três atravessavam. Um conseguiu desviar, mas o outro passou por cima das mulheres.

Estrada conservada incentiva velocidade

Tenente-coronel Washigton Luiz, comandante do Batalhão Rodoviário da PM, afirma que as boas condições das rodovias estaduais acabam incentivando os motoristas a dirigirem com excesso de velocidade. Ele destaca a GO-080 como a rodovia onde há maior número de acidentes com óbitos, que corresponde a 30% das mortes. Luiz considera que os números continuam preocupando e que a lei seca contribuiu para a manutenção dos números. Informa que 20 das 354 mortes foram provocadas por acidentes em que os condutores estavam embriagados: “É difícil pontuar qual a rodovia em que mais morrem pessoas. Às vezes, em um só acidente morrem cinco.”

Embora a GO-080 lidere, a GO-060 também preocupa pelo teor dos acidentes, que acabam deixando mais de uma vítima. Só um acidente matou cinco pessoas da mesma família, próximo à cidade de Santa Bárbara de Goiás. A colisão ocorreu por volta das 23 horas do dia 30 de novembro, quando um caminhão caçamba bateu na traseira de um Monza, no qual viajava a família. O carro caiu em ribanceira, ao lado da ponte do Córrego Anicuns. Os seis ocupantes do veículo são naturais de Claudinápolis.