Serão necessários pelo menos mais três anos para que as rodovias federais mineiras deixem de ser manchete na imprensa devido às suas más condições de conservação, agravadas neste período de chuvas. Essa é a avaliação do diretor regional do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), José Élcio Monteze. Ele lembra que a Constituição Federal de 1988 vetou a vinculação de recursos, exceto para as áreas da saúde e educação, o que reduziu o volume de verbas para o setor. Porém, a aprovação, em dezembro passado, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que autoriza a vinculação de recursos na área de transporte tem representado uma esperança de melhoria das estradas.
“A partir de agora, o setor de transporte (rodovias, ferrovias, portos e metrô) passa a ter recursos vinculados, oriundos do combustível, totalizando cerca de R$ 5 bilhões por ano, sendo cerca de R$ 3 bilhões para as rodovias de todo o país”, afirma. Monteze observa que hoje 30% das estradas federais em Minas estão ruins; 40% a 45%, regulares; e, 25% a 30%, boas.
O diretor do DNER afirmou que o órgão recebeu R$ 110 milhões, previstos no orçamento do ano passado, e receberá mais R$ 60 milhões neste ano, que serão investidos em diver sos trechos das rodovias mineiras.
Uma extensa operação tapa-buraco deve começar a ser feita nas estradas, ao custo de R$ 2,7 milhões. No trecho mais crítico da BR-135, entre Montes Claros e Joaquim Felício, a operação terá início hoje. O serviço será executado pela construtora Conserva de Estradas, que venceu licitação em 27 de dezembro passado. A rodovia é a principal opção de ligação entre o Norte/Centro de Minas com BH e termina na BR-040. O chefe do DNER em Montes Claros, José Barros, explica que a empresa fará esse trabalho emergencial para minimizar o drama da rodovia, toda esburacada e precisando trocar o piso, inaugurado em 1972. A operação será feita em toda a extensão da rodovia, mas com prioridade para os 130 quilômetros do trecho Montes Claros/Joaquim Felício.
De acordo com Monteze, serão investidos R$ 1,45 milhão em um trecho de aproximadamente 300 quilômetros da BR-135. A mesma obra será feita na BR-365, entre Montes Claros e entroncamento da MG-408.
Serão investidos R$ 150 mil em tapa-buraco na BR-491, entre Areado, Alfenas, Paraguaçu e Varginha. De Areado a Alfenas, o trânsito está ruim, já que o asfalto está em estado de degradação, além de problemas de drenagem, acostamento e sinalização vertical inexistentes. O trecho de Alfenas a Paraguaçu também está precá rio, sem sinalização horizontal. Outra esperança para as estradas é o Programa Crema -Construir, Restaurar e Manter, conhecido como “Nossa Estrada”, do Governo federal, que pretende atingir, nos próximos cinco anos, 22 mil quilômetros de rodovias federais no país, investindo R$ 1,25 bilhões.


Buracos atrasam viagem de férias

Sair do Norte de Minas e pegar três ônibus para chegar à Zona da Mata, onde passará as férias, não é problema para a supervisora pedagógica Helenilze Aparecida Lima, 41 anos, que todo mês de janeiro deixa Salinas, com a família, para visitar parentes em Viçosa. A dor de cabeça, segundo ela, são as condições das estradas, que todo início de ano provocam atrasos na viagem. Neste ano, um atraso de 2h30 desestruturou o esquema de viagem da família, provocando um cansaço maior. A BR_135 (entre Curvelo e Montes Claros), está cheia de buracos e, por segurança, o tráfego foi transferido para a BR-496, passando por Pirapora, totalizando 80 quilômetros a mais de desvio.
Helenilze conta que saiu de Salinas às 20h45 de segunda-feira com intenção de chegar a BH às 6h30 de ontem, para, em seguida, embarcar para Ponte Nova e, de lá, para Viçosa, onde previa chegar no meio da manhã de ontem. “Espero que daqui a 25 dias, quando pretendo voltar, as estradas estejam melhores”, disse ela, ao lado do marido e dos três filhos.
Outra que exige cautela é a BR-418, a 40 quilômetros de Nanuque, no Vale do Mucuri. Na divisa de Minas com Bahia, até Teófilo Otoni, a estrada está interrompida, devido ao rompimento do aterro da encosta da ponte sobre o Rio 14, no km 58, entre Carlos Chagas e Nanuque. A liberação deve demorar no mínimo 15 dias. A alternativa é passar pela BR-101, BR-381, via São Mateus e Barra de São Francisco, no Espírito Santo, e Governador Valadares. O instrutor de treinamento da Viação São Geraldo, Altair Alves Marques, afirmou que o desvio tem cerca de 200 quilômetros, o que aumen ta a viagem em 2h30.
A estrada dá acesso às praias do Sul da Bahia. Diariamente, a São Geraldo dispõe de dez a 12 horários para a região. No Carnaval, esse número salta para 30 a 40 horários/dia.

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