Motorista deve ficar atento nas estradas de acesso ao Rio de Janeiro e Zona da Mata, devido aos buracos e falta de segurança. BR-356 está interditada no Norte Fluminense

Buracos na estrada, pista escorregadia, desvios e movimento intenso. As estradas de acesso à Zona da Mata e ao Rio de Janeiro, regiões fortemente atingidas pelas chuvas, exigem muita atenção dos viajantes. Uma das principais ligações com o Norte Fluminense, a BR-356, que liga Muriaé, a 370 quilômetros de BH, a São João da Barra (RJ), está interrompida desde a noite de sábado. Já os motoristas que precisam enfrentar a BR-040 se arriscam em diversos trechos, principalmente nos 200 quilômetros até Santos Dumont, com destaque negativo para o Viaduto das Almas.

Batizado oficialmente como Viaduto Vila Rica, o local carece de segurança. Os inúmeros acidentes registrados no local ao longo do ano, inclusive um de grandes proporções no início do feriado, destruíram as muretas de proteção em vários pontos. Uma nova ponte, em construção, só deve ser entregue à população em abril de 2009. A velocidade também é uma preocupação para quem passa nessa área, pois os dois radares eletrônicos instalados na entrada e saída do viaduto estão desligados a mais de um ano.

Motoristas que passaram pelo Viaduto das Almas reclamam da falta de segurança. O militar Anderson Dilly, que mora em Salvador (BA), voltou ontem de Barbacena, na Região Central, para Belo Horizonte e ao passar pelo local se assustou com o estado da via e reconheceu que não há lugar como esse em todo o Brasil. “Tenho até medo de passar por ele. Fico tenso ao volante. O que mais me assusta é que, desde aquele último acidente, quando um caminhão-baú e um Toyota foram parar debaixo da ponte, as muretas de proteção não foram consertadas. É inacreditável. Dizem que vão inaugurar o outro viaduto, mas até agora nada e, enquanto isso, corremos perigo.”

O caminhoneiro Ronaldo Filgueiras passa três vezes por semana pelo Viaduto das Almas e o considera o mais perigoso do estado. “É inacreditável a falta de proteção ali. Se os radares funcionassem, não deveriam ser de 60 quilômetros por hora, mas de 30. A velocidade permitida é muito alta e há motoristas que se arriscam demais. Sempre vejo acidentes trágicos por aqui, que se intensificam também pelos buracos por toda a via.”

Quando estava passando pelo local, o motoqueiro Marcelo Júnior presenciou uma imprudência que considerou de alto risco: um motorista de um carro ultrapassou um caminhão. “São pessoas como essas que colocam em perigo a vida de outros. Sempre que passo aqui fico tenso e inseguro, por isso jamais dirijo à noite por aqui. O viaduto não tem proteção, o que é um absurdo. O próprio nome dele já nos remete a algo trágico.”

Nos 51 anos de existência do velho Viaduto das Almas, estima-se que mais de 200 mortes ocorreram no local, mas a promessa de inauguração de uma nova travessia, que colocaria um ponto final nessa carnificina, já foi adiada duas vezes. Primeiro, o Departamento Estadual de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) garantiu a entrega do novo viaduto em agosto deste ano, mas atribuiu o atraso às chuvas do fim de 2006.

A segunda promessa foi para o mês passado, mas a data foi firmada, até o momento, em abril do ano que vem. O Dnit foi procurado ontem pelo Estado de Minas, mas ninguém do departamento foi localizado.

O inspetor Aristides Júnior ressalta que há outros trechos na BR-040 que representam ainda mais perigo para os condutores e são causa de maior preocupação e trabalho para os patrulheiros. Ele destaca a curva do cavalo, no Km 587, a curva do ribeirão, no Km 585, próximo a Itabirito, além da também conhecida curva do sabão, que fica antes de Congonhas, na Região Central do estado.

Ontem, o motociclista André Ferreira Lana, de 24 anos foi acidentado depois que passou nesse local. O Focus GWH 4247, de Campos dos Goytacazes (RJ), que seguia em direção ao Rio de Janeiro, escorregou na pista molhada pela chuva e invadiu o outro lado da estrada, entrando na contramão da via e atropelando o motociclista, que seguia no sentido oposto da rodovia. André Ferreira sofreu ferimentos leves. O motorista e os passageiros do Focus não ficaram feridos.